A artista plástica campista Lúcia Laguna morreu nesta segunda-feira (21), aos 85 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Um dos grandes nomes das artes plásticas brasileiras, sua morte foi confirmada pela Fortes D’Aloia & Gabriel, galeria que a representava. A causa da morte foi uma parada cardíaca.
Em 2026, Lúcia apresentou a exposição individual “Apenas meus cabelos brancos...”, na Galerie Lelong, em Nova York, reafirmando a projeção internacional.
Nascida em Campos, em 1941, Lúcia construiu uma pintura marcada pelo encontro entre a paisagem ao seu redor e a abstração, tudo da sua janela, em alguns casos. Em suas telas, jardins, paisagens suburbanas cariocas, telhados, fios de energia e outros elementos captados pelo olhar da artista ganham novas formas por meio de texturas, cores e redes geométricas.
A produção de Lúcia Laguna transitou entre a observação do cotidiano e uma linguagem pictórica própria, transformando elementos aparentemente comuns da paisagem em composições de forte identidade visual.
Entre os conterrâneos que lamentaram a morte da artista está o também artista plástico campista Alexandre Mury. Ele destacou a importância da trajetória de Lúcia e sua projeção para além dos grandes centros.
“Não tive o privilégio de conhecê-la pessoalmente, mas a grandeza da obra de Lúcia Laguna fala por si. Como campista, sempre acompanhei o sucesso dela com muito orgulho. Ver uma artista do interior romper o eixo tradicional e alcançar museus como o MAM Rio e o exterior é um combustível para qualquer artista que produz fora dos grandes circuitos consolidados.”
Um dos trabalhos de Lúcia Laguna
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Reprodução
Para Mury, a trajetória da artista também deixa uma reflexão sobre a valorização da produção cultural local.
“Que a partida dela sirva como um chamado para que a sociedade e o poder público valorizem e conheçam o trabalho dos artistas locais. O pertencimento cultural começa quando a gente reconhece e celebra os nossos”, afirmou.