Ambienal leva arte e debate ambiental a Campos e São João da Barra
Dora Paula Paes - Atualizado em 22/08/2026 10:16
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Os municípios de Campos dos Goytacazes e São João da Barra vão sediar, de 26 de agosto a 1º de setembro, a Bienal de Arte Ambiental do Estado do Rio de Janeiro (Ambienal). O evento reúne artistas, pesquisadores, educadores, movimentos sociais e comunidades que habitam territórios atravessados por conflitos socioambientais. A programação desta primeira edição está organizada em quatro eixos: Residência NUANF, Cine Duna, a performance “Desmedida” e a Assembleia de Cultura Ambiental.

A Ambienal foi idealizada por Fernando Codeço e Julia Naidin e nasce como um programa de longo prazo dedicado à articulação entre arte, território e pensamento ambiental crítico, propondo um espaço permanente de pesquisa, criação e diálogo.

Nesta edição, a meta, de acordo com os organizadores, é fortalecer a interlocução entre os trabalhos desenvolvidos por coletivos de arte associados à Uenf e à Uerj e as experiências construídas entre a capital e cidades do interior, ampliando uma rede de pesquisa e criação comprometida com a justiça ambiental, a memória dos territórios e a imaginação de futuros possíveis para o Estado do Rio de Janeiro, tendo como eixo principal o Norte Fluminense.

“Vamos reunir artistas e pesquisadores em uma experiência intensiva de sete dias, baseada em processos colaborativos e criações situadas e contextuais. Mais do que produzir obras acabadas, a residência propõe a construção de vínculos, escuta, experimentação e produção compartilhada de conhecimento entre arte e território”, explica Julia Naidin, responsável pela produção executiva e curadoria da CasaDuna.

A 1ª Residência de Pesquisa-Criação do Núcleo Ambiental Norte Fluminense (NUANF) terá artistas e pesquisadores em uma experiência intensiva de sete dias, baseada em processos colaborativos e criações situadas.

Os participantes desenvolverão pesquisas-ação em diálogo com lideranças comunitárias e movimentos sociais que atuam em territórios atravessados por conflitos ambientais, disputas fundiárias e grandes transformações territoriais. Entre os locais estão a praia de Atafona, onde haverá apoio da Associação S.O.S. Atafona; o Sítio do Birica, no distrito do Açu, em São João da Barra; o Assentamento Cícero Guedes e o Acampamento 15 de Abril, do MST; e a ocupação Terra Abençoada, da FETAGRI, em Campos.
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Entre os artistas e coletivos que participam desta edição, quatro são do Norte Fluminense: Daiane Gomes, Grupo Erosão, Matheus Crespo e Remu Goitacá. Outros quatro são da capital: Ateliê de Performance (Uerj), Daniel Toledo, Leituras Ambientais (Uerj) e Lia Peixinho. A Costa Verde será representada por Luciana Araújo. Na curadoria do Cine Duna, além dos idealizadores, participam Catu Rizo, da Baixada Fluminense, e Clara Chaves, do Norte Fluminense.

Cine Duna

A mostra de filmes socioambientais também faz parte da programação e será realizada de 27 a 29 de agosto, sempre das 18h às 21h. No dia 27, a sessão será no Cine Darcy, no Centro de Convenções da Uenf. Já nos dias 28 e 29, a programação ocorrerá na Casa de Cultura Villa Maria, na Praça do Liceu.
Serão seis sessões, sempre seguidas por conversas entre realizadores, pesquisadores e público, estimulando o debate sobre arte, cinema, ecologia e justiça ambiental.

Desmedida

A performance “Desmedida”, do Grupo Erosão, será realizada no dia 30 de agosto, das 9h às 11h, no Antigo Pontal de Atafona, em São João da Barra. Na ocasião, o grupo apresenta uma nova versão da performance “Do Rio ao Mar – Rio Paraíba Vivo!”, agora intitulada “Desmedida”.

Realizada originalmente no Pontal de Atafona, em 2024, a ação utiliza centenas de metros de redes de pesca descartadas para reconstruir, coletivamente, o antigo percurso do Rio Paraíba do Sul até o oceano, transformando a paisagem em uma cartografia viva sobre memória, erosão costeira, crise climática e as relações entre corpo e território.
O Grupo Erosão é formado por Fernando Codeço, Lucia Talabi, Jailza Mota, Julia Naidin, Mariana Moraes, Paul Macalli e Rachell Rosa. Leituras Ambientais: professoras Ana Tereza Prado Lopes, Dani Lima, Eloisa Brantes e Marília Martins; bolsistas Bruna Rodrigues, Juliana Hellen, Mariana Mendes e Raiane Rocha.
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Assembleia

A Assembleia de Cultura Ambiental encerra a Ambienal no dia 1º de setembro, às 16h, na Casa de Cultura Villa Maria. A assembleia tem como objetivo avaliar coletivamente a experiência da residência e construir as bases conceituais, metodológicas e curatoriais das próximas edições da Ambienal, consolidando-a como um programa permanente de arte, pesquisa e educação ambiental.

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