Conceição Muniz é daquelas personalidades que nos honram pelo simples fato de sermos seus contemporâneos.
Trata-se de uma intelectual que, do alto de seus noventa e cinco anos, mantém viva a humildade lúcida do autoquestionamento diante dos tantos feitos que marcam sua trajetória.
Conceição saiu de Campos para estudar Serviço Social na década de 1960 e voltou trazendo consigo a semente para a criação da Universidade Federal Fluminense neste município. Quando um curso superior era oportunidade para poucos, ela já visava a educação universal que, diariamente, transforma nosso país.
Professora por formação e por vocação, faz sempre questão de destacar os educadores que a ajudaram a escrever sua história profissional e pessoal. Isso porque ela se faz mestre por ser, desde sempre, sábia aprendiz. E, assim, cada conversa com Conceição é uma grande aula contada - e cantada! - por meio de suas histórias.
Em 2021, aos 91 anos, lançou a obra “Pelos olhos da alma”, com relatos autobiográficos de uma história que não cabe em um único volume, sobretudo pelo fato de ainda estar sendo escrita.
Foi essa mulher de preciosas vivências que a Academia Campista de Letras recebeu como acadêmica no último sábado, dia 4 de julho de 2026, em sessão com quase uma centena de convidados. Conceição foi, como em todos os lugares por onde passa, tietada e aclamada por tudo que representa.
Eleita no dia 2 de junho de 2026 para ocupar a cadeira n. 25 da ACL - anteriormente ocupada pelo imensurável poeta Vilmar Rangel -, Conceição recebeu a notícia de sua imortalidade com vigor primaveril. Seu entusiasmo encantou familiares, amigos e foi visto por todos que presenciaram a cerimônia de posse. A chegada de Conceição à ACL nos move a refletir sobre os papéis da instituição, pois não se pode negar que a nova ocupante da cadeira 25 já deveria ter assento na ACL há muito - não por precisar de qualquer chancela, mas porque sua história merece ser reverenciada.
Foi o que o acadêmico Aristides Soffiati deixou claro em seu discurso de recepção: a predisposição de Conceição Muniz para a imortalidade é algo que suplanta seu título de acadêmica. Está em sua história, está em tudo que fez e faz por esta terra.
Divulgação/Foto: Ana Paula Lopes
E esses feitos foram repassados na tarde de sábado em meio a homenagens, discursos e paródias musicais feitas pela própria acadêmica, que tirou lágrimas e gargalhadas do público emocionado. O evento contou, ainda, com homenagens da UFF Campos, representada pela professora Verônica Azeredo e pelo graduando Kaio dos Santos Gomes, ambos do curso de Serviço Social.
Por fim, a cantora Ana Flávia Costa, convidada pela família da acadêmica, apresentou um repertório musical escolhido pela própria Conceição, que sempre embala suas histórias com ótimas melodias. É uma honra para todos nós sermos contemporâneos de uma mulher como Conceição Muniz, que segue escrevendo sua história e deixando as marcas da sensível intelectual que é, imortal antes mesmo de qualquer título acadêmico.