Documentário 'Bambas da Planície' chega às salas de aula como recurso pedagógico em Campos
08/06/2026 18:56 - Atualizado em 08/06/2026 20:43
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A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) disponibilizou às unidades escolares da rede municipal de ensino que ofertam o Ensino Fundamental Anos Finais o documentário "Bambas da Planície" para utilização como recurso pedagógico em sala de aula. A medida considera a relevância do material para o fortalecimento da identidade cultural local e a preservação da memória da população campista. A proposta visa resgatar a rica, porém adormecida, história do samba campista e de seus grandes baluartes.
A obra foi contemplada pela Lei Paulo Gustavo e tem formato de média-metragem, destacando compositores campistas e a velha guarda da cidade. O documentário reúne relatos e músicas de grandes nomes do samba local, como Geraldo Gamboa, Manoel Tancredo e Jorge Chinês, além de ter resultado na produção de cinco CDs com composições desses artistas.

A Subsecretaria de Ensino sugeriu que os professores utilizem o documentário promovendo atividades que contextualizem o conteúdo apresentado com a história, a cultura e as manifestações artísticas do município. Recentemente, por exemplo, a obra foi exibida aos estudantes do Ciep Wilson Batista, no Parque Guarus.

Wilson Batista (1913–1968) foi um dos maiores compositores da história da música brasileira, considerado por muitos o “filósofo do samba”. Nascido em Campos dos Goytacazes (RJ), foi um sagaz cronista do cotidiano carioca e da boemia, tornando-se famoso por suas letras irônicas e de forte apelo popular.
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“A iniciativa possibilita reflexões interdisciplinares envolvendo componentes curriculares como História, Língua Portuguesa, Arte e demais áreas do conhecimento, contribuindo para a valorização do patrimônio cultural campista e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento dos estudantes à sua comunidade. Contamos com o apoio das unidades escolares na divulgação e utilização deste importante material junto aos estudantes”, afirmou a subsecretária da pasta, Célia Maria Ferreira.

O documentário - O projeto nasceu de uma pesquisa iniciada em 2003 pela cantora, produtora e sambista Leny Moraes, que percorreu barracões e escolas de samba da cidade em busca de registros e histórias.

“Eu ouvia, nas casas noturnas e nas rádios, que não havia público nem ouvintes de samba na cidade, e aquilo me incomodava bastante. Então, passei a realizar essa pesquisa e me deparei com meus ídolos, cujas músicas eu cantava desde criança nas escolas de samba e nos blocos carnavalescos do Rio. Descobri que eles eram campistas, o que me animou e me entusiasmou muito. Além desses grandes ídolos, encontrei uma velha guarda sensacional, formada por compositores campistas de altíssimo nível, e gravei cinco CDs exclusivamente com obras desses artistas. Fomos guardando esse material audiovisual sem saber exatamente como utilizá-lo, porque, naquela época, não havia incentivos governamentais na área da cultura para a produção desse documentário”, disse Leny.
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Ela acrescentou que o documentário se transformou em um importante registro da memória do samba e da velha guarda campista.

“Ainda temos material para produzir mais dez documentários, justamente para preservar essa história e para que os mais jovens saibam de onde vieram e quem foram — e quem são — os baluartes da nossa música. Acho excelente que a Secretaria de Educação esteja promovendo essa história para que nossos jovens possam se identificar com a cultura preta, com a cultura local e com a cultura do samba, que não é de gueto, mas uma manifestação legítima e reverenciada em todo o Brasil”, completou.

A iniciativa ganhou força com a colaboração do jornalista, fotógrafo e produtor cultural Wellington Cordeiro e do músico Renato Arpoador, que ajudaram a transformar o material em filme.

“Acredito que cultura e educação não devem caminhar separadas. O documentário Bambas da Planície apresenta uma das mais fortes tradições culturais do município: os representantes campistas do samba. E não há lugar mais adequado para esse processo educativo do que as escolas. Precisamos apresentar às nossas crianças o que Campos tem de melhor, que são suas manifestações artísticas e culturais. Durante a contrapartida do projeto, levamos o documentário a escolas municipais, estaduais, federais e particulares, sempre cativando o público com as histórias de nossos bambas do samba”, explicou Wellington.
Acesse o documentário aqui https://youtu.be/KdCV7AupChw. 
 
Fonte: Ascom-Campos
 

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