Cláudio Nogueira, Hevertton Luna, Gabriel Torres e Dora Paula Paes
- Atualizado em 03/06/2026 08:14
Entrevista no Programa Folha no Ar
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Hevertton Luna
A presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro, disse que o prefeito Frederico Paes tem pressa em resolver pendências na área da cultura em Campos. Uma delas é a questão da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), para que o município receba a verba de R$ 3 milhões. Segundo ela, foi criada uma força-tarefa para tratar do assunto. Patrícia participou, na terça-feira (2), do programa Folha no Ar, da Folha FM. Na entrevista, também falou sobre o Rock Goitacá, que ainda não tem data definida; sobre a realização do Carnaval no Cepop ou na Avenida XV de Novembro; sobre os trabalhadores da cultura; e sobre a intenção de realizar a Bienal do Livro ainda este ano, inserindo o evento no calendário oficial e promovendo um revezamento com o Festival Doces Palavras.
Nomeação – “A nomeação foi publicada no dia 26 de maio, mas passou a vigorar a partir de 2 de junho. Então, o que eu e a Fernanda (Campos) fizemos foi começar a nos inteirar dos assuntos e fazer a transição. Fernanda foi muito colaborativa, e eu também. Nossas equipes já se conheciam. Não estamos promovendo uma troca; ela está levando para lá a equipe dela, e eu estou fazendo a mesma coisa.”
Adiamento do Rock Goitacá – “Esse adiamento ocorreu por causa do cronograma. O evento é realizado por meio de um edital previsto em lei, e o Rock Goitacá é uma homenagem ao saudoso Luiz Ribeiro. A ideia era que o evento acontecesse no aniversário dele, em 6 de maio. Todo mundo sabe que, todos os anos, o dia 6 de maio é o Dia do Rock Goitacá, independentemente de o evento acontecer no fim de semana. Mas, dentro desse edital, existem todas as etapas de inscrição das bandas, avaliação da curadoria e análise dos pareceristas. Eu nem sei exatamente como é montado esse processo de pareceres. Aí está o ponto principal: abre-se um período para recursos, que é inerente a qualquer edital, além do prazo para contrarrazões. Nesta edição, no último dia para apresentação de recursos, duas ou três bandas recorreram. Com isso, foi necessário abrir o prazo para as contrarrazões. O que me informaram é que a diretoria artística da Fundação já se reuniu com o setor e discutiu a situação. Eu não tomei a iniciativa de participar justamente por ainda não estar oficialmente no cargo. A partir de hoje, quero conversar com todas as bandas envolvidas. O motivo do adiamento foi esse.”
Carnaval fora de época – “A decisão de realizar o Carnaval fora de época não tinha relação direta com a concorrência com o Carnaval do Farol. O objetivo era dar mais protagonismo ao Carnaval, valorizando-o e profissionalizando sua organização. Naquele momento, precisávamos de Milton Cunha para contribuir nesse processo. Precisávamos trazer a experiência de escolas campeãs. Dentro do calendário tradicional do Carnaval, não conseguiríamos fazer isso. Ouvi, esta semana, uma pessoa muito querida do Carnaval dizer: ‘Não precisa mais ser no fim de abril, como já fizemos, depois da Semana Santa. Se conseguirmos realizar o Carnaval uma semana após o desfile das campeãs, para nós estará ótimo’.”
Cultura com Frederico – “Isso já foi conversado com o prefeito. No dia em que me fez o convite para assumir a Fundação, ele falou sobre a importância que dá à cultura e sobre a necessidade de dialogar com as diversas vertentes da cultura popular. Depois volto a falar sobre isso, porque o anúncio precisa ser feito pelo prefeito Frederico. Mas tenho certeza de que, na próxima semana, um setor da cultura popular receberá uma notícia muito positiva.”
Cepop ou Avenida XV de Novembro? – “O prefeito Frederico Paes quer dialogar com o Carnaval e construir um formato que atenda à cultura popular do município. Acho que o retorno para a Avenida XV de Novembro pode ser considerado uma alternativa, mas é preciso entender que essa opção representa alguns passos para trás. Estamos falando da interdição de uma via importante da cidade, enquanto temos um equipamento como o Cepop, que nunca foi um elefante branco. Havia esse discurso recorrente da oposição, que criou essa expressão em um período em que o Cepop funcionava todos os dias. O espaço abria de terça-feira a domingo e recebia atividades diariamente. Portanto, nunca foi um elefante branco. Agora, saber utilizar o equipamento adequadamente é outra questão. Durante os quatro anos do governo que antecedeu o de Wladimir, e isso é inegável, o Cepop foi sucateado. Não é um equipamento simples de operar.”
Vocação de cada espaço – “Acho que precisamos respeitar a vocação de cada espaço. O Cais da Lapa se justifica por ser, na minha visão, o ponto turístico urbano mais importante da cidade. A cereja do bolo foi termos conseguido instalar ali a sede da Secretaria de Turismo. Isso é muito emblemático e representa um marco que ficará registrado na gestão do prefeito Wladimir Garotinho. Era um lugar por onde as pessoas passavam sem dar atenção.”
Política Nacional Aldir Blanc – “São muitas etapas. A lei também possui um cronograma próprio e critérios para adequar o município ao recebimento dos recursos, que são transferidos da União para os estados e dos estados para os municípios. O que ocorreu em Campos foi que a previsão orçamentária da área da cultura não contemplava inicialmente essa receita. Como isso é determinado por lei, que já foi sancionada, a situação foi equacionada. Agora estamos avançando nas etapas necessárias. Outra etapa é a indicação dos membros efetivos do conselho e do comitê gestor do fundo. Isso também já foi encaminhado. A questão é saber se foi encaminhado dentro do cronograma. Sim, está dentro do cronograma. Não sei dizer exatamente se estamos próximos do prazo final, porque esse prazo também não está claramente definido na legislação.”
Força-tarefa – “O que estamos fazendo é uma força-tarefa. Foram reunidos, inclusive no gabinete do prefeito Frederico Paes, todos os atores envolvidos nesse processo: Procuradoria, setor de licitação e publicação. Eu participei da reunião, e a determinação é que nada pare. Se houve algum atraso até aqui por entraves burocráticos ou questões de fluxo processual, a orientação do prefeito é que não haja mais interrupções. Estamos acompanhando esse processo de perto, inclusive com a colaboração da equipe da Fernanda. A força-tarefa existe para evitar qualquer prejuízo e garantir não apenas o recebimento dos pouco mais de R$ 3 milhões deste ciclo, mas também a execução de R$ 1 milhão remanescente do ciclo anterior.”
“Estamos tentando ganhar tempo” – “Estamos trabalhando para que a situação seja resolvida, e acredito que será. O que a classe cultural reclama é que há uma nova etapa relacionada ao lançamento dos editais. Quando esses editais são publicados, muitos artistas consideram que o prazo para apresentação dos projetos é curto. Depois, ainda precisam aguardar os prazos para recursos e contrarrazões.”
Calendário Cultural – “O prefeito Frederico, pela própria trajetória de vida, conhece profundamente a cidade. O calendário cultural de Campos é composto, em cerca de 90%, por festividades espalhadas pelo interior do município, e não apenas pelo Centro. Na área central, destacam-se o Rock Goitacá, a Festa do Santíssimo Salvador, o Festival do Doce, as festas de Santo Antônio de Guarus e São Benedito, o Festival Doces Palavras e, a cada dois anos, a Bienal. O restante está distribuído pelo interior. Depois de atuarmos nessas regiões, passamos a compreender melhor a importância da Casa de Cultura de Conselheiro Josino, da Casa de Cultura de Goitacazes, do Farol e da Biblioteca do Farol. É nesses espaços que a mágica acontece, onde as políticas públicas começam a se desenvolver e onde passamos a interagir naturalmente com os atores culturais de cada localidade.”
Bienal do Livro de Campos – “A intenção do governo e a determinação do prefeito são de que a Bienal retorne ao calendário regular. Esse também é um pleito da cadeira de Literatura do Conselho Municipal de Cultura. Ainda não me reuni com os representantes do segmento, mas a orientação que recebi do prefeito é esgotar todas as possibilidades para realizar o evento ainda este ano. A proposta é retomar a Bienal nos anos pares e o Festival Doces Palavras nos anos ímpares, permitindo que ambos sejam planejados com mais antecedência. Para recolocar a Bienal no calendário já este ano, precisamos começar a trabalhar imediatamente. Essa é uma decisão que estamos tomando a partir de agora. Mas é preciso dialogar. O colegiado precisa discutir o assunto, e eu também preciso conversar com o Conselho. A determinação é estudar todas as possibilidades e, em no máximo 15 ou 20 dias, apresentar ao prefeito um relatório com os cenários possíveis, os eventuais obstáculos e as condições necessárias para que possamos tentar realizar a Bienal ainda este ano.”