Quem foi Latour Arueira (1914-2004)? Muita gente não sabe e/ou já não se lembra, particularmente alguns dos atuais jornalistas. Latour foi um dos mais brilhantes profissionais campistas.
Latour, hoje no “Reino dos Céus”, foi um jornalista inteligente, sarcástico. Um excelente crítico. Sabia como ninguém, de modo irônico, fazer uma crítica ou responder a uma brincadeira de mau gosto ou não.
Latour, no jornalismo, foi completo, inclusive diretor do jornal “A Notícia”. Na sociedade, foi um dedicado e atuante das causas sociais, pertencendo, por incrível que pareça, de modo simultâneo, a dezesseis entidades e presidente por 14 anos da Associação de Imprensa Campista.
O nosso jornalista era inspetor de ensino federal e poeta, tendo sido presidente também da UBT – Seção de Campos, tendo realmente dinamizado a entidade, realizando diversas promoções.
Latour, independentemente de ativo jornalista, como todo bom trovador em sua maioria, gostava de escrever (inspiradas) e de recitar trovas inteligentes, verdadeiras pérolas, como esta oportuna trova de Symaco das Costa: “Há tanto burro mandando / em homens de inteligência / que, às vezes, fico pensando / que a burrice é uma ciência.”
Latour, o trovador, tinha uma verdadeira admiração pelo colega Barreto Coutinho, que alimentava uma verdadeira adoração pela sua mãe e para ela escreveu a famosa trova: “Eu vi minha mãe rezando, /aos pés da Virgem Maria: / era uma Santa escutando / o que outra Santa dizia.”
Segundo seu filho Jorge Arueira, Latour Neves da Silva Arueira morreu aos 90 anos de idade e o que é mais importante: “sonhou toda a vida e viveu todos os sonhos.” Entendendo, como Charles Chaplin que “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, sorria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Latour foi até o fim e com aplausos.
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Latour era um jornalista pobre. Gostava de dizer que era pobre e deixou uma numerosa família, com todos encaminhados na vida. Foi tudo ou quase tudo. Secretário Municipal de Administração e, como presidente da Associação de Imprensa Campista prestou relevantes serviços à categoria. A AIC era outra... sempre de pé e à ordem.
Na “Semana da Imprensa”, quando era comemorada, realizou uma inteligente palestra na Casa, dizendo, na ocasião, na nossa direção, que “Vejo, com orgulho, a minha Associação de Imprensa vitoriosa, rica de valores intelectuais, sob a presidência de um colega que sustenta as tradições de Campos.” A seguir, relacionou diversos jornalistas da época e homenageou a todos eles. Por certo, a “Casa do Jornalista Campista” não perdeu o seu pique e ainda irá continuar de pé e a ordem, repito.
Latour teve sua foto inaugurada na “Galeria dos Ex-Presidentes da AIC”, como agradecimento dos jornalistas pelo muito que fez em favor da categoria. O nosso jornalista foi sepultado no Cemitério São João Batista, em São João da Barra-RJ, como era seu desejo, onde também foi sepultado seu avô Manoel Pinto Neves, de quem tanto se orgulhava. A AIC esteve presente. No seu túmulo foi inscrita a sua trova: “Eis que o destino descobre, / a sorte que Deus me deu: / ninguém na vida é mais pobre, / nem mais feliz do que eu.”
Um pouco sobre um jornalista ilustre que não pode ser esquecido e que deve estar entre os bons ao lado do Altíssimo, fazendo – sem brincadeira – o “Jornal Celestial,” porque no dizer popular: “jornalismo é uma cachaça.”
E ainda não se pode deixar de ser mencionado, neste final, que o nosso jornalista, em vida, recebeu, por serviços prestados, inúmeras homenagens: da Academia Pedralva Letras e Artes, UBT Estadual, Academia Fluminense de Letras, da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia de Campos (o título “Professor Emérito Honoris Causa”, conferido pela SFMC), entre muitas outras entidades, o que prova claramente que ele era um homem bom e merecedor.
** Acadêmico e ex-presidente da Academia Campista de Letras.