Trabalho premiado: Urbanista de Campos transforma usina em centro cultural
Dora Paula Paes 04/02/2026 08:17 - Atualizado em 04/02/2026 10:14
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O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Usina de Ideias, que requalifica uma antiga usina sucroalcooleira desativada em Campos, propondo sua transformação em um centro cultural voltado à arte, levou a campista Ana Arêas a dois prêmios importantes na área de Arquitetura e Urbanismo. No final de 2025, Ana foi premiada no 42º Prêmio Arquitetas e Arquitetos do Amanhã, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), e conquistou o 1º lugar no Prêmio Grandjean de Montigny, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ).

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e feliz com esses resultados de reconhecimento, Ana conta que sua escolha pela profissão não veio apenas do desejo de projetar edifícios, mas dá vontade de compreender o espaço como ferramenta de transformação social, cultural e sensível.
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- Minha trajetória na arquitetura é atravessada por inquietações, mais do que por certezas - ressalta.
Ao comentar o Trabalho de Conclusão de Curso, que já lhe rendeu dois prêmios, e seu principal foco, a transformação de espaços históricos, muitos ameaçados, Ana Arêas conta: “O projeto surgiu tanto de uma demanda real da população por espaços culturais quanto de uma inquietação pessoal diante da crescente perda de patrimônios arquitetônicos para a especulação imobiliária.”

No trabalho desenvolvido, submetido a uma banca e aprovado na finalização do curso acadêmico, segundo ela, a proposta buscou preservar a memória do edifício industrial, ao mesmo tempo em que subvertia seu uso original, transformando-o em um espaço voltado às etapas de concepção, produção e exibição artística.
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- Ao longo da formação acadêmica, meus interesses se consolidaram na interseção entre arquitetura, cidade, arte e memória. Entendo o projeto arquitetônico como um processo que vai além da forma, envolvendo escuta, pesquisa, leitura do território e atenção às dinâmicas sociais existentes. Essa abordagem se reflete tanto nos projetos acadêmicos quanto na atuação profissional inicial, que inclui consultorias e estudos preliminares em diferentes escalas e programas.

Ela explícita quanto os prêmios, não apenas um reconhecimento técnico, mas a validação da sua uma forma de pensar arquitetura que valoriza o contexto, a cultura e as pessoas. “Mais do que um ponto de chegada, esses reconhecimentos reforçam o compromisso com uma prática arquitetônica crítica, responsável e sensível, que entende o espaço construído como agente ativo na vida cotidiana e na construção de identidade coletiva.”
Quando questionada se pretende apresentar esse projeto aos proprietários da Usina do Queimado, prontamente, Ana explica que sim, é um desejo real. "O projeto nasce como exercício acadêmico, mas foi desenvolvido com muita técnica e sensibilidade ao lugar, já pensando em ir além da universidade.", disse. 
Ana ainda completa: "Acredito que ele possa servir como ponto de partida para discussões futuras, funcionando como um motor de debate sobre o cenário cultural de Campos e, sobretudo, sobre a carência de infraestrutura acessível para a produção artística na cidade. A Usina do Queimado tem um potencial enorme para abrigar não apenas espaços de eventos, mas também ambientes de criação, aprendizado e troca. Mais do que um projeto fechado, a proposta se coloca como um convite ao diálogo, uma provocação para pensar novos usos e formas de ativar um patrimônio hoje subutilizado."

Reconhecimento - No próximo dia 10, a urbanista campista, Ana Arêas estará participando da plenária do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, quando também receberá sua premiação.

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