”Moda para mim é isso: expressão, conexão e ruptura”. É assim que Thialy Paes, estilista e stylist, que saiu de Vila Nova em Campos, para o centro da moda de São Paulo, defende seu trabalho, quando pensa em uma roupa que vai além de cobrir o corpo nu. Com passagem pelo São Paulo Fashion Week e já trabalhando para a próxima edição, em 2026, no momento o estudante de moda inicia uma parceria com artesãs crocheteiras do projeto “Crochetando Amizades” de Poço Gordo. A intenção, diz ele, é produzir através da sua marca THIALY moda de alto valor, mas que também valorize a mão de obra.
— A marca ‘Thialy’ nasceu com uma peça de biocouro de cacto e crochê. Meu projeto foca em valorizar a mão de obra local. São peças conectadas à arte — disse ele. Para encontrar as parcerias certas, o estilista tem o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, através do setor de Economia Solidária da Prefeitura de Campos.
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— Basicamente é um projeto de alta-costura em que o estilista campista, Thialy, que está estudando Moda em São Paulo, cria a marca inteira, desde as coleções, apresentações, etc, e as artesãs campistas vão produzir as peças de maneira artesanal, através do crochê e outras técnicas culturalmente disseminadas em Campos, principalmente no interior — explica o diretor de Economia Solidária de Campos, Pedro Barcelos. — Estamos apoiando o projeto de um campista muito talentoso do mundo da moda, o Thialy.
Na outra ponta do projeto, Amarilis Azevedo, coordenadora do Crochetando Amizades e professora de crochê de Poço Gordo, na Baixada Campista, conta que já iniciou, agora em junho, o primeiro projeto piloto da marca Thialy. Bom lembrar que as crocheteiras de Campos já trabalham para marcas famosas como a Animale.
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— Nosso projeto Crochetando Amizades tem 35 integrantes. O Crochetando vai além de ensinar uma técnica de artesanato. Ela resgata a autoestima, ele cura e é fonte de renda — salienta Amarilis.
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O trabalho de Thialy chegou ao grupo de Amarilis, através de Pedro. “Eu a indiquei para esse projeto pois ela já participa conosco, coordenando o projeto ‘Crochê para Todos’, um projeto que nasceu em 2023 e segue até hoje com uma empresa do Rio que manda o material e paga pela mão-de-obra das artesãs campistas para produção de peças de vestuário feminino para grandes marcas do mercado nacional”, conta o diretor de Economia Solidária de Campos.
Sobre o seu trabalho como estilista, o aluno da faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, Thialy disse que sua moda é autoral, quando mistura arte, conceito e construção de identidade. No mundo difícil da moda, o jovem destaca: “Minhas criações transitam entre o ateliê e a arte, entre a passarela e a performance, sempre com um olhar crítico e poético”.
Entre outros parceiros, Thialy destaca o trabalho que realiza há 10 anos junto com Wyster Maris, que é responsável pelas costuras das peças de alfaiataria. Já Mateus Araújo, outro campista como ele, foi o resposável pela criação da identidade de marca.
Como empreender no Brasil não é fácil, a Thialy também busca parcerias para impulsionar a marca. “A Thialy nasce com o propósito de unir identidade, inovação e propósito no universo da moda autoral brasileira. Estamos prontos para expandir, aumentar nossa produção e alcançar novos mercados. Para isso, buscamos investimentos que fortaleçam nossa estrutura e nos permitam crescer de forma estratégica e sustentável. Investir na Thialy é apostar em uma marca que acredita na força da arte, na originalidade do design e no poder de transformar roupas em discurso”, finaliza o estilista.