Campos não pode continuar de asas cortadas
Evandro Barros


Campos dos Goytacazes não pode se conformar em assistir ao seu aeroporto perder protagonismo enquanto a economia regional cresce, o Porto do Açu amplia sua importância e o Norte Fluminense se consolida como território estratégico para petróleo, gás, logística, indústria, universidades e serviços.

O Aeroporto Bartolomeu Lisandro deveria ser uma das portas de entrada desse desenvolvimento. Hoje, porém, sua utilização comercial está muito aquém do potencial de uma cidade do porte de Campos.

Esse problema não será resolvido com slogans, promessas fáceis ou discursos de ocasião. Retomar uma malha aérea regular exige negociação com companhias, articulação junto ao Governo Federal, demonstração de demanda econômica e capacidade de reunir interesses públicos e privados em torno de um mesmo objetivo.

É exatamente nesse ponto que a experiência de Wladimir Garotinho merece ser observada.

Em fevereiro de 2024, Wladimir levou pessoalmente ao então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a reivindicação pela retomada dos voos entre Campos e o Rio de Janeiro, suspensos desde outubro de 2023. Também foi entregue ao Governo Federal um pedido para discutir a ampliação do Bartolomeu Lisandro. (Prefeitura de Campos?)

A pauta não desapareceu depois da fotografia oficial.

Em fevereiro de 2025, novamente em Brasília, Wladimir voltou a discutir o aeroporto tanto no Ministério do Turismo quanto no Ministério de Portos e Aeroportos, colocando a ampliação da malha aérea entre os temas relacionados ao desenvolvimento econômico e turístico do município. (Prefeitura de Campos?)

Quando a Azul encerrou as operações comerciais em Campos, em agosto de 2025, alegando aumento de custos operacionais e necessidade de melhorar a rentabilidade das rotas, o problema se agravou. Em novembro daquele ano, a gestão municipal voltou ao Ministério de Portos e Aeroportos para defender a retomada das operações. (Prefeitura de Campos?)

Mais importante: em janeiro de 2026, a discussão avançou para um elemento indispensável — demonstrar que existe demanda.

A Codemca reuniu-se com representantes da Petrobras para analisar a movimentação regional e os números da atividade aérea ligada ao setor offshore. Segundo a Prefeitura, os dados apresentados reforçaram a existência de demanda e abriram caminho para uma nova etapa de negociação com a companhia aérea. (Prefeitura de Campos?)

Isso muda a natureza do debate.

Não basta dizer que Campos “merece” ter voos. É necessário provar para as companhias aéreas que uma rota pode ser economicamente sustentável.

E demanda regional existe.

Somente o Heliporto do Farol de São Tomé movimentou, entre setembro de 2021 e julho de 2025, cerca de 1,38 milhão de passageiros e 114 mil aeronaves, de acordo com dados divulgados pela Prefeitura. Trata-se de um indicador expressivo da dimensão da atividade offshore no município. (Prefeitura de Campos?)

Há ainda o Porto do Açu, a presença de universidades, hospitais de referência, empresas prestadoras de serviços, atividade industrial e uma população regional que precisa se deslocar para o Rio de Janeiro, São Paulo e outros grandes centros.

Um aeroporto não deve ser analisado isoladamente. Ele faz parte de uma rede de infraestrutura.

Também por isso merece atenção a duplicação do chamado Pistão da Codin, iniciada em 2025, criando melhores condições de acesso entre a BR-101, a região industrial e o aeroporto. (Prefeitura de Campos?)

O ponto central é simples: Campos precisa de alguém capaz de transformar uma reivindicação municipal em uma pauta estadual e federal.

Wladimir reúne duas experiências que, nesse tema, são relevantes. Já esteve em Brasília como deputado federal e já administrou a cidade de Campos como prefeito. Conhece a realidade municipal e, ao mesmo tempo, conhece os corredores onde decisões federais são construídas.

Isso não significa que a retomada dos voos dependa de uma única pessoa. Companhias aéreas tomam decisões empresariais, o Governo Federal possui competências próprias e a viabilidade de uma rota precisa ser demonstrada tecnicamente.

Mas política também é capacidade de abrir portas, construir pontes e insistir nas agendas certas.

E o histórico dos últimos anos mostra que Wladimir vem fazendo exatamente isso em relação ao Bartolomeu Lisandro.

Campos já foi uma cidade conectada por voos regulares a grandes centros. Pode voltar a ser.

O que não podemos aceitar é que uma das maiores cidades do interior do Rio de Janeiro, situada ao lado de um dos maiores complexos portuários do país e no coração de uma região estratégica para a economia nacional, permaneça de asas cortadas.

O Bartolomeu Lisandro precisa voltar a ser tratado como infraestrutura estratégica.

Porque quando um aeroporto volta a funcionar plenamente, não são apenas aviões que decolam.

Decolam os negócios, o turismo, os investimentos e as oportunidades de uma região inteira.
E, claro, meu voto é do Wladimir!!!

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    Sobre o autor

    Evandro Barros

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    Advogado, historiador, escritor (+ de 10 livros) e pesquisador, com especialização em Direito Tributário; mestre em Cognição e Linguagem e Doutorando em Políticas Sociais - UENF, com tese dedicada ao Licenciamento Ambiental. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas (MG).