Estratégia de prova: controle, energia e hidratação
Artigo teórico sobre controle da intensidade, gestão de energia e boa hidratação visando preservar o organismo numa prova de endurance.
O drive neural — ou, em muitos artigos científicos, central motor drive. Ele representa o comando do sistema nervoso central enviado aos músculos. Em exercícios de endurance, esse comando pode diminuir com a fadiga, embora a queda de desempenho também envolva fatores musculares, metabólicos, térmicos e cardiovasculares.
Acelerar demais nos primeiros quilômetros pode comprometer toda a sua prova. Correr de 10 a 15 segundos mais rápido por quilômetro no início pode custar vários minutos na parte final. Por isso, controle a ansiedade, respeite o ritmo planejado e deixe a prova acontecer.
Durante o percurso, consuma entre 45 e 90 g de carboidrato por hora, de acordo com o que foi testado nos treinamentos. A primeira ingestão pode acontecer por volta do km 4 ou 5, evitando esperar a queda de energia para começar a reposição.
Beba água em todos os postos de hidratação. Em temperaturas mais baixas, o cuidado deve ser ainda maior, pois sentimos menos sede, mas continuamos perdendo líquidos e podemos nos desidratar sem perceber. Com a perda de líquidos, o volume sanguíneo diminui e o sangue fica mais viscoso. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes aos músculos, provocando aumento da frequência cardíaca e redução do rendimento.
Na meia maratona, é comum o ritmo começar a cair após o km 18; na maratona, depois do km 30. Um dos principais fatores é a redução do drive neural.
Nas corridas longas, o sistema nervoso integra sinais de fadiga muscular, redução energética, desidratação, calor e estresse cardiovascular. Quando esses sinais aumentam, pode reduzir parcialmente o comando enviado aos músculos e elevar a percepção de esforço, levando o corredor a diminuir o ritmo. Essa resposta contribui para limitar o desgaste e preservar o equilíbrio do organismo, preservar a sua sobrevivência. Este é o fenômeno chamado drive neural.
Em síntese: controle a ansiedade na largada, não acelere além do planejado, hidrate-se em todos os postos, utilize o carboidrato no momento correto — sempre testado nos treinos — e siga a programação definida pelo seu treinador, evitando o drive neural pois o seu organismo, para te proteger, não deixará você correr rápido.
A sua percepção durante a prova será fundamental para tomar boas decisões em cada fase do percurso.
A sua percepção durante a prova será fundamental para tomar boas decisões em cada fase do percurso.
Fontes: Gandevia, S. C. (2001). Spinal and supraspinal factors in human muscle fatigue. Physiological Reviews, 81(4), 1725–1789.
É uma referência clássica sobre fadiga central. Explica que a fadiga não ocorre apenas no músculo: o sistema nervoso também pode perder parte da capacidade de ativar adequadamente os motoneurônios.
Millet, G. Y.; Lepers, R. (2004). Alterations of neuromuscular function after prolonged running, cycling and skiing exercises. Sports Medicine, 34(2), 105–116.
Analisa especificamente exercícios prolongados, como corrida, ciclismo e esqui, mostrando a participação conjunta da fadiga central e periférica na perda de força após atividades de endurance.
Amann, M. et al. (2008). Locomotor muscle fatigue modifies central motor drive in healthy humans and imposes a limitation to exercise performance. Journal of Physiology, 586(1), 161–173.
É uma referência clássica sobre fadiga central. Explica que a fadiga não ocorre apenas no músculo: o sistema nervoso também pode perder parte da capacidade de ativar adequadamente os motoneurônios.
Millet, G. Y.; Lepers, R. (2004). Alterations of neuromuscular function after prolonged running, cycling and skiing exercises. Sports Medicine, 34(2), 105–116.
Analisa especificamente exercícios prolongados, como corrida, ciclismo e esqui, mostrando a participação conjunta da fadiga central e periférica na perda de força após atividades de endurance.
Amann, M. et al. (2008). Locomotor muscle fatigue modifies central motor drive in healthy humans and imposes a limitation to exercise performance. Journal of Physiology, 586(1), 161–173.
Mostra que sinais enviados pelos músculos fatigados ao sistema nervoso influenciam o comando motor central e podem contribuir para a redução da intensidade do exercício.
Bons treinos!
