Saulo Pessanha
05/10/2026 08:50 - Atualizado em 05/10/2026 09:14
O deputado João Peixoto era uma pessoa simples. De voz mansa, sempre bem-humorado, construiu uma carreira política sólida, iniciada nos anos 90, quando se elegeu vereador e dois anos depois obteve um mandato na Alerj, o primeiro de vários outros na Casa.
Pela sua educação fina, João Peixoto, quando se envolvia em situações delicadas, no dia a dia da política, não costumava passar recibo. Mas um episódio vale ser lembrado, como exceção.
Foi por conta de uma grosseria que lhe foi dirigida por Ana Maria Rattes, mulher do ex-prefeito de Petrópolis, Paulo Rattes, e que buscava um mandato de deputada federal na eleição de 1994.
O fato ocorreu durante as gravações, no Rio, de um dos programas no horário eleitoral na TV dos candidatos do PSDB, partido que abrigava a candidatura do parlamentar campista.
A participação de Peixoto, e dos demais candidatos a deputado estadual, era mínima — resumia-se ao nome, número e a um slogan de campanha. Peixoto, nervoso, gaguejava na fala, o que forçava a seguidas gravações.
Ana Maria, na fila de gravação, irritada, vira-se para a produção, em voz alta, para todo mundo ouvir, inclusive Peixoto, e diz:
— Gente, vamos acabar logo com isto! O preço do estúdio é pago por cada hora de uso e não é nada barato!
João Peixoto, contrariado com a deselegância da candidata, tira do bolso uma nota de CR$ 10, e dirigindo-se a um assessor dela, pede:
— Dê este dinheiro a sua deputada. Que sirva de tranquilizante para ela...