O Legado da Essência: A Eternidade de Carlos Augusto Siqueira/ Texto de Edimar Barreto
O tempo, esse senhor implacável, parece ter uma densidade diferente quando nos despedimos de alguém transformador. A dor da despedida é, talvez, o preço mais alto que pagamos por termos tido o privilégio de amar verdadeiramente. Mas, diante da partida de um grande amigo, de um homem da envergadura de Carlos Augusto Siqueira, a dor não é apenas um vazio; é o eco de uma presença que se recusa a apagar.
Amar um amigo e ente querido é um exercício de alma. É reconhecer no outro um porto seguro, uma mente brilhante e um coração generoso. Carlos Augusto, em sua trajetória como engenheiro e homem público, compreendia que a verdadeira engenharia da vida não se faz apenas com cálculos e concreto, mas com a retidão do caráter e a força do serviço ao próximo. Ele não apenas ocupou espaços; ele edificou caminhos para muitos.
No entanto, sua obra mais sublime e resistente não foi feita de pedra, mas de afeto. Embora seu legado público seja vasto, é no seio da família que seu exemplo brilha com mais intensidade. A saudade que agora aperta o peito de suas filhas Eliandra e Elys, de seus genros e de seus netos e de sua esposa amada Dona Eliane Siqueira,é a prova mais pungente do homem extraordinário que ele foi na intimidade do lar. Para eles e para mim, Carlos Augusto foi o alicerce sólido, o abraço que acolhe e a bússola que aponta o caminho do bem.
A vida, em sua sabedoria misteriosa, nos lembra constantemente de que somos passageiros. Estamos aqui em uma jornada breve, muitas vezes focados no ter e no fazer. Mas, quando a cortina se fecha, o que sobra? Não permanecem os títulos, os cargos ou as posses. O que sobrevive ao tempo é a *essência*.
A essência de Carlos Augusto — sua integridade, sua paixão pela construção de um mundo melhor e a lealdade de sua amizade — é o que agora se torna eterno. Essa essência ficará guardada como um tesouro no meu coração e nos corações de sua família e daqueles que tiveram a honra de caminhar ao seu lado. Ela viverá nas histórias contadas, nos exemplos seguidos e na saudade que, com o tempo, deixará de ser ferida para se tornar uma luz de gratidão.
A despedida dói porque o amor foi real. E, se o amor foi real, ele nunca morre de fato. Carlos Augusto partiu da nossa vista, mas seu legado está cimentado na história de nossa cidade e, principalmente, na vida de cada um de nós, amigos e familiares que ele escolheu cultivar com tanto zelo.
Que sua alma descanse em paz, e que sua memória continue a inspirar sua esposa, filhas, netos e amigos a viver com o mesmo valor, a mesma ética e o mesmo amor que ele dedicou a todos nós.
Edimar Barreto- seu afilhado e aluno da vida pública.
