Matheus Berriel
28/09/2026 12:57 - Atualizado em 28/09/2026 14:06
Show do cantor e compositor lotou o Rancho da Ilha na madrugada de domingo
Com área de estacionamento lotada e um dos maiores públicos desta temporada, o Rancho da Ilha, em Campos, recebeu na madrugada de domingo (27) um show enérgico de Marcelo Falcão. Antes de subir ao palco, o cantor e compositor recebeu o blog em seu camarim para uma breve entrevista, em que falou sobre a vasta produção musical, com centenas de músicas ainda inéditas, e o momento atual da carreira. O vigor é creditado ao desejo de seguir tocando os fãs com as mensagens passadas por sua obra, fruto dos 25 anos como vocalista da banda O Rappa e de oito anos em carreira solo. Confira abaixo a íntegra do bate-papo.
Quando estava divulgando o início da sua carreira solo, em 2018, você chegou a comentar que compôs mais de 600 músicas nos oito anos anteriores. Você já compunha antes daquele período e continuou compondo desde então. Consegue ter uma estimativa do total de músicas feitas? E como se dá esse seu processo criativo?
— Eu acabei fazendo um estúdio atrás da minha casa, para que eu pudesse estar vivendo e experimentando sempre. Algumas daquelas 600 músicas eu tenho trabalhado com calma e carinho, para que um dia, futuramente, as pessoas possam ouvir algumas delas. Mas todas elas fazem parte (do processo de criação) do primeiro disco solo ["Viver (Mais leve que o ar)", de 2018] e também do segundo ["O Legado", de 2025]. Aí a gente ouve mais, melhora mais, para fazer ficar do nosso jeito. Eu até me proibi de fazer mais músicas, porque eu tenho que ouvir essas e melhorá-las.
Neste mês, completaram-se 30 anos do segundo disco de O Rappa, "Rappa Mundi", que incluía a faixa "Pescador de Ilusões", da qual você é um dos compositores. Três décadas depois, que tipo de ilusões valem a pena continuar sendo pescadas e cultivadas?
— A ilusão de ser músico no país, de falar coisas que eu falo; de ver a vida de pessoas e a minha vida mudarem através de coisas que eu falo. Acho que é mais ou menos isso. No meu coração e na minha cabeça, continua sendo original o suficiente para continuar falando do meu país de uma maneira que eu acho digna.