Americano celebra acesso em evento com discursos sobre sonhos de finalizar estádio e voltar ao cenário nacional
Matheus Berriel 05/08/2026 12:42 - Atualizado em 05/08/2026 13:23
Festa em celebração ao título da Série A2 aconteceu nessa terça-feira
Festa em celebração ao título da Série A2 aconteceu nessa terça-feira / Foto: Rodrigo Silveira
Três dias após o título da Série A2 e o acesso à primeira divisão do Campeonato Estadual, os integrantes do departamento de futebol do Americano tiveram uma noite de celebração, nesta terça-feira (4). Jogadores e membros da comissão técnica festejaram com seus familiares em um buffet no Alphaville, em Campos, num evento demonstrativo de que a elevação de status e profissionalismo do clube ocorre dentro e fora das quatro linhas. Dirigentes e conselheiros também fizeram parte da festa, marcada por discursos sobre os próximos objetivos: a conclusão do novo Estádio Godofredo Cruz e uma almejada volta ao cenário nacional.
— É apenas um início daquilo que a gente pensa, quer e sonha. Creio que, num futuro próximo, não tenha que haver festa para o Americano subir à primeira divisão (estadual), mas, sim, festa para o Americano subir de divisão nacional. — disse aos convidados o ex-jogador Felipe Melo, um dos gestores do projeto de SAF do clube, entre agradecimentos e felicitações.
Sócio de Felipe Melo no Americano e fundador do Grupo Boston City, o empresário Renato Valentim seguiu pela mesma linha.
— Temos um planejamento muito detalhado para o próximo ano. A gente deseja, sim, alcançar divisões nacionais. Esse é o nosso próximo objetivo: trabalhar os processos do clube, categorias de base. Nós subimos todas as categorias para a primeira divisão estadual: sub-15, sub-17, sub-20 e profissional. Para quem valoriza categorias de base, isso é fundamental para se fazer um trabalho a longo prazo — afirmou Valentim.— A gente acredita nos profissionais que trabalham com a gente hoje e na estrutura que a gente está trabalhando para oferecer aos atletas. E a infraestrutura, a gente precisa trabalhar nela, em termos de estádio e outras situações que a gente está trabalhando. Tenho certeza que, com tudo isso, em 2027 nós estaremos novamente aqui comemorando alguma coisa — pontuou.
Sonhada pelo torcedor alvinegro desde a demolição do antigo Estádio Godofredo Cruz, em 2014, a conclusão da nova casa foi um dos temas comentados pelo CEO do Americano, André Vitor Freitas. Em entrevista ao blog, ele citou desafios, mas considerou possível que os jogos do clube como mandantes na próxima Série A já aconteçam no novo Godofredo Cruz.
— Existe possibilidade. É factível uma finalização de obra e jogarmos no nosso estádio no ano que vem. Mas, não é uma obra barata. A gente está falando de uma estrutura de concreto que já está pronta, mas a parte elétrica, de bombeiro e alguns periféricos que faltam, representa um investimento muito alto. Aproveito a oportunidade para convocar novos parceiros, novos patrocinadores, para o ano de 2027. Não tenho dúvida de que, com a energia, a mão de obra e os parceiros corretos, a gente consegue finalizar o estádio ainda este ano e chegar a 2027 jogando no nosso estádio — declarou.
Na atual temporada, o Americano disputou a Série A2 mandando seus jogos no Estádio Ary de Oliveira e Souza, do Goytacaz. A parceria também foi lembrada por André na entrevista.
— Eu escutei muita coisa sobre a diretoria do Goytacaz, mas a verdade é que, hoje, o Americano não tem o que falar (de negativo). Não tive nenhum problema com o Serginho (Sérgio Alves), presidente do Goytacaz; o Leandro (Nunes), vice-presidente, e o incansável (Pedro) Zanon (diretor jurídico e vice-presidente de futebol), que trabalha demais, um excelente profissional. Sou grato a eles. Hoje, o Goytacaz tem um estádio apto para disputar a Série B1, com um gramado de qualidade, e o Americano teve oportunidade de ser campeão da A2 dentro desse estádio. Se os dois clubes não conseguirem exprimir uma gratidão por isso, eu acho que a gente estaria no caminho errado. Então, o Goytacaz está de portas abertas — disse André. — Nossa parceria é uma relação continuada, que não terminou porque o Americano vai parar de jogar. Nosso contato se mantém, porque o planejamento do Goytacaz para a B1 só começou, e o do Americano para 2027 também só começou. Não tenho dúvida de que essa parceria ainda vai gerar muitos bons frutos — reforçou.
A diretora Rachel Pereira, por sua vez, valorizou o atual acesso alvinegro lembrando a frustração de 2025, quando o Americano perdeu a vaga na semifinal da Série A2 após decisão do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Na época, o clube foi penalizado em quatro pontos devido à escalação irregular do goleiro Carlinhos, durante a fase classificatória.
— Coloquei esse acesso muito diante de Deus. No ano passado, eu vivi um luto quando a gente perdeu no tribunal — disse Rachel. — Foi muito devastador para mim, porque a gente entrou no Americano com uma mentalidade vencedora. Era isso que a gente queria implementar no Americano, e hoje eu posso dizer que nós conseguimos. Só que até isso acontecer, a gente teve que resgatar muita coisa, dos funcionários da faxina até os atletas, até os conselheiros, para acreditarem na gente e no que a gente fazia ali. Então, a gente resgatou essa mentalidade no Americano. E quando o Maranhão fez o gol na final (aos 48 minutos do segundo tempo, levando a decisão contra o Resende para os pênaltis), eu tive certeza de que a gente resgatou essa mentalidade e de que seríamos campeões. Fomos, e eu me emocionei muito, porque me senti com um dever cumprido. Hoje, tenho certeza de que o torcedor do Americano vibra numa energia de campeão, de vencedor, que foi o que a gente queria resgatar — finalizou.
O início da Série A de 2027 é previsto para meados de janeiro, com 12 participantes. Para se manter na primeira divisão, bastará ao Americano não ser o lanterna. Já para alcançar a Série D do Campeonato Brasileiro, o clube precisará ser um dos dois melhores colocados que já não estejam em uma divisão nacional. Outra possibilidade de retorno ao cenário nacional é a Copa do Brasil, com cinco a 11 vagas via Estadual, a depender também do desempenho dos clubes do Rio de Janeiro nos campeonatos brasileiros. Posteriormente, a Copa Rio também poderá ser uma forma de acesso à Série D ou à Copa do Brasil, pois classifica seus finalistas a uma das competições, cada.
O Americano não disputa a Série A do Estadual desde 2021, e não enfrenta os grandes clubes cariocas desde 2019, pois nos dois anos seguintes participou apenas da extinta fase preliminar. No cenário nacional, as últimas presenças se deram em 2018, parando na primeira fase na Série D do Brasileirão, e 2019, na primeira fase da Copa do Brasil.
Festa em celebração ao título da Série A2 aconteceu nessa terça-feira
Festa em celebração ao título da Série A2 aconteceu nessa terça-feira / Foto: Rodrigo Silveira

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