Padre Julio Lancellotti repercute caso de aporofobia em Campos/RJ
05/08/2022 | 21h59
Prefeitura de Campos retirou colchões, cobertores e agasalhos da população em situação de rua durante festa do Santíssimo Salvador
Na última quinta-feira, equipes de fiscalização da postura, orientados pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, recolheram à força cobertores, colchões, agasalhos e documentos de moradores de rua, visando afastá-los da área onde estão ocorrendo os festejos do Santíssimo Salvador. Crianças, idosos e portadores de deficiência estão entre as pessoas que tiveram seus pertences roubados durante a ação de higienismo social.
Caminhão da prefeitura que recolheu pertences. Vídeo: @lamparaoetisgo
Caminhão da prefeitura que recolheu pertences. Vídeo: @lamparaoetisgo
Diversos campistas se estarreceram com as cenas, que tiraram o pouco daqueles que já não possuem quase nada, durante um inverno de noites frias em Campos. De imediato, publiquei um vídeo em minhas redes relatando a situação, confira aqui, buscando tornar mais visível a atuação imoral da prefeitura de Campos, que visava apenas maquiar a cidade e jogar "pra debaixo do tapete" a ausência de políticas para a população de rua.
Hoje, quem também se indignou e ajudou a repercutir o caso compartilhando o vídeo que publiquei foi o Padre Júlio Lancellotti, referência nacional na defesa dos direitos do povo de rua, principal nome na luta contra a aporofobia no Brasil, termo que define políticas e ações que nutrem ódio e  aversão aos pobres. A palavra passou a ser difundida mais recentemente com uma campanha do sacerdote, da Pastoral do Povo da Rua em São Paulo/SP, contra as cidades que a praticam.
Padre Júlio em ação nas ruas de SP
Padre Júlio em ação nas ruas de SP
Padre Julio compartilhou o vídeo destacando a ação da prefeitura de Campos e se disse "impressionado" com as cenas de tamanha crueldade a cidadãos já tão vulneráveis. 
A prefeitura ainda não se manifestou sobre o caso que vem causando indignação nas redes. Centenas de campistas cobram uma postura ética da prefeitura, com aplicação de políticas públicas efetivas nas área de moradia, educação, saúde pública, emprego e renda junto a população de rua em Campos.
A Diocese de Campos, que coordena a parte religiosa dos festejos do Santíssimo Salvador, também não se manifestou. Vale destacar que o Bispo Dom Roberto possui um longo histórico de compromisso com as causas sociais, aliado das lutas populares, o que gera expectativa dos fiéis por um posicionamento oficial da Igreja Católica localmente.
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TV Câmara de Campos exibiu filmes de produtora bolsonarista acusada de fake news
01/07/2022 | 14h44
Financiada por grupos de ultradireita, Brasil Paralelo é acusada de promover revisionismo histórico e desinformações sobre a pandemia.
Se você utiliza internet com frequência e acessa redes sociais, muito provavelmente já se deparou com algum anúncio sensacionalista da produtora "Brasil Paralelo". Se você é campista, a chance é ainda maior, já que a TV mantida pela Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes exibiu com frequência documentários da produtora, que contam com a participação de gurus da extrema-direita no Brasil, como o já falecido Olavo de Carvalho e os deputados Luiz Philippe de Orléans (autointitulado monarca brasileiro) e Carla Zambelli.
A empresa produz filmes, documentários e séries que buscam "reescrever" a história do Brasil sob um olhar conservador, negando, por exemplo, que a escravidão tenha tido um papel estruturante na formação da sociedade brasileira. As produções não apresentam quaisquer fontes ou documentações históricas que sustentem seus argumentos, se utilizando somente das opiniões dos entrevistados.
Chegou a ser citada durante a CPI da Covid, em 2021, como um “núcleo de produção e disseminação” de fake news relacionadas à pandemia, junto de outros sites e influenciadores, como o do extremista Allan dos Santos, foragido da justiça brasileira.
Desde 2020, tento contato sem sucesso com a equipe da TV Câmara de Campos, para maiores esclarecimentos sobre a transmissão de conteúdos da Brasil Paralelo.
Em sua grade, a emissora local repete a programação da TV Escola, ligada ao MEC, que é acusada de colaborar com a propaganda, disseminação e financiamento da Brasil Paralelo.
O fato de uma TV pública municipal estar colaborando para a dispersão de conteúdos obscurantistas, fundamentalistas e negacionistas que alimentam o viés-ideológico sustentado pelo bolsonarismo no Brasil parece não importar ao comando da TV e está em total contradição com conteúdos de muita qualidade produzidos e exibidos pela grade da emissora, como o programa Pílulas da História, apresentado pela professora e historiadora Rafaela Machado.
Boa parte destas exibições de séries e documentários da Brasil Paralelo na TV Câmara de Campos ocorreram durante a pandemia, alcançando muitas crianças e adolescentes que acompanhavam os conteúdos educacionais e aulas remotas.
Matéria de Guilherme Amado para o Metrópoles nesta sexta-feira (01) aponta que, no Relatório de Transparência de Assuntos Políticos, lançado pelo Google na quinta-feira (23), a Brasil Paralelo foi a maior anunciante de propaganda política nas plataformas do Google no país, investindo R$ 368 mil reais para impulsionar 647 conteúdos desde novembro do ano passado, data do início do levantamento.
Em um desses anúncios, veiculado no mês passado, o vídeo que a Brasil Paralelo pagou para o Google sugerir automaticamente a seus usuários traz, com uma narração em tom retumbante (para dar aquele “tom” de denúncia) a repetição de uma fake news, antiga e já desmentida, de que o PT teria supostamente pagado R$ 200 milhões para Marcos Valério “não falar no nome de Lula e poupar o presidente na investigação do mensalão”.
Os discursos da Brasil Paralelo estão em total alinhamento com a política conduzida por Bolsonaro em relação ao meio ambiente. Seus conteúdos citam a existência de um "terrorismo ambiental", ignoram o aquecimento global e tratam com desdém as causas indígenas.
QUEM FINANCIA?
A historiadora Mayara Balestro pesquisou por três anos a atuação da produtora e identificou entre seus financiadores o empresário Leandro Ruschel, ligado ao mercado financeiro e apoiador de grupos de extrema direita no Brasil. Ela e outros professores sofreram uma série de ameaças, assédio moral, vazamento de fotos e dados pessoais, após a publicação de suas pesquisas. Começaram a receber notificações extra-judiciais exigindo “retratação e direito de resposta”. O site The Intercept conversou com algumas dessas vítimas de ameaças e desvelou uma grande ofensiva judicial da produtora para tentar calar seus críticos e reescrever a própria história.
A estratégia da Brasil Paralelo é sempre negar sua ligação com Bolsonaro. Mas é financiada pelos setores mais retrógrados do empresariado, que também financiam o bolsonarismo no Brasil.
Ser politicamente conservador é uma escolha pessoal. Vivemos em uma democracia e cada indivíduo tem o direito de escolher o futuro que prefere para o seu país. No entanto, promover a difusão em massa de revisionismo histórico, fake news e desinformação é um atentado à própria democracia.
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Lindbergh Farias convida para evento em Campos no próximo sábado (25)
19/06/2022 | 20h40
Lindbergh organiza roda de samba e feijoada "Lula Lá" no Santa Paciência Casa Criativa
No próximo sábado (25), a cidade Campos recebe o ex-senador Lindbergh Farias, atualmente vereador da cidade do Rio de Janeiro, para agenda que inclui um evento aberto a militantes petistas e apoiadores. 
Trata-se da "Roda de Samba Lula Lá", que já traz no nome a expectativa com as eleições presidenciais deste ano, onde o ex-presidente Lula lidera todas as pesquisas. O evento, que contará com grupo de samba,  feijoada e banquinha de produtos do PT, terá entrada franca e contará com a presença das principais lideranças petistas do Norte Fluminense.
Lula e Lindbergh durante lançamento de candidatura do ex-presidente
Lula e Lindbergh durante lançamento de candidatura do ex-presidente / Reprodução
Lindbergh é pré-candidato a deputado federal e possui forte ligação com a cidade de Campos, para onde já destinou importantes emendas orçamentárias a instituições locais como o IFF e a UENF, enquanto ocupou a vaga de Senador Federal pelo RJ, em Brasília/DF. Em fevereiro deste ano, Lindbergh concedeu entrevista ao programa Folha no Ar, confira clicando aqui.
Local do evento, o Santa Paciência Casa Criativa (Rua Barão de Miracema, 81), foi recentemente definido como sede campista do Comitê Popular de Luta, experiência desenvolvida pelo PT e outros partidos aliados em todo o Brasil como núcleos de mobilização das bases para as eleições de 2022. A casa recebeu recentemente lideranças como Marina do MST, pré-candidata a deputada estadual e Jandira Feghali (PCdoB).
Lindbergh chega a Campos no próximo sábado (25) e dará início à Roda de Samba a partir das 12h00. O evento é aberto ao público.

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Após manifestação, famílias da Ocupação Novo Horizonte conquistam mesa de negociação com governador e Wladimir
06/08/2021 | 12h48
Manifestação ocorreu durante a visita do governador Cláudio Castro a Campos. Prefeito se comprometeu a participar das negociações.
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Nesta sexta-feira (06), feriado municipal do Santíssimo Salvador, o padroeiro de Campos parece ter providenciado que, após 4 meses de ocupação, a luta por moradia das famílias do Novo Horizonte tenha sido recompensada com sua maior conquista, após a determinação do STF que impediu a última tentativa de reintegração de posse. 
Demanda histórica, uma mesa de negociação finalmente será aberta com a participação do governo estadual, governo municipal e lideranças da ocupação. O compromisso foi firmado nesta manhã, pessoalmente pelo governador, Cláudio Castro, e pelo prefeito de Campos, Wladimir Garotinho.
Centenas de ocupantes se mobilizaram logo cedo para encontrarem governador e prefeito em frente a CDL, na avenida Sete de Setembro, no Centro, onde entregaram documento solicitando a abertura da mesa de negociação para superar as propostas, até então insuficientes, apresentadas pela prefeitura de Campos, incapazes de atender às demandas e necessidades das mais de 700 famílias, em extrema vulnerabilidade socioeconômica, que integram a ocupação Novo Horizonte.
A carta de compromisso para abertura da mesa de negociação, que já contava com centenas de assinaturas, que iam desde deputados estaduais e federais, até partidos e demais organizações da sociedade civil, foi assinada por representantes estaduais e municipais e deverá, finalmente, garantir um espaço amplo e justo de discussão para apresentar soluções à maior luta urbana por moradia da história de Campos e uma das maiores do estado do Rio de Janeiro. 
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Você pode acompanhar o dia a dia da maior ocupação urbana do estado do Rio de Janeiro através do instagram @ocupa_novo_horizonte e doar qualquer valor através da chave pix [email protected] ou transferências para: Nina Maria de Souza Barreto / Ag. 0001 (Nubank – 260) / CC. 70867470-6 / CPF: 139.636.257-67.
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Ministro do STF Edson Fachin suspende reintegração de posse da ocupação Novo Horizonte, em Campos
13/06/2021 | 21h09
Ministro deferiu na noite deste domingo pedido da DPU e núcleo jurídico-popular da Ocupação
A famílias do conjunto Novo Horizonte, em Campos, obtiveram neste domingo sua maior vitória ao longo dos mais de 50 dias em que iniciaram um dos maiores movimentos de luta por moradia no estado do Rio de Janeiro.
No último dia 10, os defensores públicos da DPU e o núcleo jurídico-popular da Ocupação tiveram audiência atendida pelo Ministro Edson Fachin buscando suspender a reintegração, baseado no descumprimento do entendimento formulado pelo Ministro Lewandowski, que impede ações de despejo durante a pandemia.
Na noite deste domingo, o ministro atendeu a solicitação e destacou o evidente risco de “danos irreparáveis às famílias que, se despejadas, poderiam parar na rua.”
Esta decisão suspende a reintegração autorizada pelo Tribunal Regional da 2ª Região e intima a prefeitura a dar providências para que estas famílias sejam abrigadas ou recebam suporte em programais sociais da habitação.
Este, sem dúvidas, se torna um dos maiores marcos da luta popular organizada em Campos, ampliando localmente o debate do acesso à moradia como direito constitucional.
Confira abaixo o trecho da decisão que suspendeu a reintegração que aconteceria na próxima terça-feira (15).
"(...) Enfim, apesar da aparente ausência inicial dos requisitos da Reclamação, a superveniência da decisão liminar na ADPF 828 e as condicionantes que estabelece, assim como o evidente perigo de dano irreparável às famílias que não têm aonde ir, demandam a suspensão da medida de desocupação forçada agendada para o dia 15.06.2021. Diante do exposto, sem prejuízo de nova apreciação da matéria quando do julgamento de mérito, defiro a medida liminar requerida, para suspender o cumprimento da decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 5004741-68.2021.4.02.0000, do Tribunal Regional da 2ª Região, até que se adotem as medidas do item ii da decisão liminar do e. Min. Roberto Barroso na ADPF 828, ficando suspensa a ordem de desocupação. Oficie-se, com urgência, à autoridade reclamada e ao juízo na origem para cumprimento desta decisão e para que sejam prestadas as informações, no prazo legal. Autorizo, diante da premência, a respectiva Secretaria deste Tribunal a fazer a notificação desta decisão à autoridade reclamada e ao juízo na origem inclusive por telefone, certificando-se nos autos. (...)" Min. Edson Fachin
SAIBA MAIS SOBRE A OCUPAÇÃO NOVO HORIZONTE clicando aqui e aqui.
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De Wladimir a Bolsonaro: a falta de anticoagulantes para tratamento da Covid em Campos
23/05/2021 | 20h17
Falta da enoxaparina já havia sido alertada por fabricantes em março. Denúncias também revelam crise sanitária na saúde de Campos.
Em entrevista a um portal local, funcionários do Hospital Ferreira Machado denunciaram, anonimamente, que já estão há 15 dias sem um medicamento essencial para evitar coágulos, casos de trombose e embolia pulmonar durante internações por Covid-19, além de situações degradantes de trabalho no hospital.
O medicamento trata-se da Enoxaparina, também comercializada sob os nomes Clexane ou Heparina.
No dia 26 de março deste ano, o médico e comentarista da TV Cultura, Arnaldo Lichtenstein, alertou que as principais fabricantes destes anticoagulantes no Brasil já haviam avisado ao governo federal, através do Ministério da Saúde, o risco de desabastecimento destes medicamentos, assim como do kit intubação. Confira o vídeo aqui.


O especialista em farmácia clínica, Marcelo de Valécio, também já havia alertado para este risco no início do ano, em matéria na agência de notícias do ICTQ, instituto privado com atuação na área de pesquisas farmacêuticas.
Logo, o que veio a seguir foi a confirmação da escassez do medicamento no mercado, sentida por diversas prefeituras e estados.

Em Campos, os funcionários que denunciaram esta situação em condição de anonimato, por medo de represálias da prefeitura, ainda revelaram a ausência de itens básicos no pior momento da pandemia, como sabão para as mãos, papel toalha e até álcool, além de produtos de limpeza diversos.

Se o governo Bolsonaro agiu com negligência diante da possibilidade de escassez destes medicamentos, o governo Wladimir também é diretamente responsável ao se silenciar diante denúncias tão graves, não apresentar soluções e permitir situações degradantes de trabalho, colocando em risco servidores e pacientes, sob risco de uma grave crise sanitária e hospitalar em Campos.
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Vitória parcial com reintegração de posse suspensa ainda mantém famílias do PQ Aeroporto em alerta
21/04/2021 | 17h20
Justiça suspendeu reintegração de posse autorizada anteriormente. Famílias relatam disparos de seguranças durante a madrugada.
Na tarde desta quarta-feira as famílias despejadas do Parque Aeroporto, que agora ocupam o Conjunto Novo Horizonte, do Minha Casa Minha Vida, tiveram uma boa notícia: a reintegração de posse que tinha data limite para ocorrer até hoje foi suspensa. Trata-se agora de uma das maiores mobilizações sociais na história de Campos.
No despacho, destacou-se a análise de fatos que não haviam sido expostos na denúncia da Realiza Construtora e que levaram, além da revogação da reintegração, à intimação que a prefeitura de Campos preste esclarecimentos sobre os empreendimentos Novo Horizonte I, II e III no prazo de 5 dias.
Na ocupação, o dia foi movimentado. As famílias realizaram uma assembleia e dividiram um grande lanche comunitário, com apoio e presença de associações, grupos políticos, movimento estudantil, sindical e partidos. Ao longo do dia, diversos parlamentares se manifestarem em defesa das famílias, como o deputado Glauber Braga (PSOL), Talíria Petrone (PSOL) e o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) que entrou em contato com o prefeito Wladimir e com o secretário de Estado da PM, Comandante-geral Coronel Rogério Figueredo.
INTIMIDAÇÃO
Os moradores do PQ Aeroporto, que ainda continuam sem água, luz e com o direito de ir e vir cerceado por diversas barricadas instaladas pela Realiza, relataram que diversos tiros foram disparados na última madrugada por seguranças privados. Chamou atenção que cápsulas das munições encontradas minutos depois no local são de pistolas de uso restrito das polícias e forças armadas.
Cápsula de projétil .40 encontrado após disparos de seguranças, segundo famílias.
Cápsula de projétil .40 encontrado após disparos de seguranças, segundo famílias.
MOBILIZAÇÃO CONTINUA
Diante da pandemia, do silêncio da prefeitura, das ordens de despejo e tendo como único teto as casas do Conjunto Novo Horizonte, as famílias decidiram em assembleia que se manterão organizadas, resistindo até que lhes seja apresentada uma solução, para que o direito constitucional à moradia seja plenamente assegurado.
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Em plena pandemia, Wladimir ignora apelo de famílias despejadas e silencia para desocupação
20/04/2021 | 22h40
Após despejo ilegal ocorrido na última semana no Parque Aeroporto, famílias sofrerão reintegração de posse das casas ocupadas
Juliana Rocha e Daniela Abreu
Juliana Rocha e Daniela Abreu
Na noite desta terça-feira (20), centenas de famílias que eram beneficiárias do programa de aluguel social da prefeitura de Campos no Parque Aeroporto se manifestaram contra uma ordem judicial de reintegração de posse, fruto de uma ação movida pela construtora Realiza, que estipulou um prazo de 5 dias para a desocupação. O prazo se extingue amanhã (21/04), quando deverá ocorrer mais um despejo das famílias.
Mais um porque, na última semana, estas famílias foram despejadas pelos donos dos imóveis que moravam através do aluguel social, uma vez que o último prefeito, Rafael Diniz, deixou de pagar o aluguel social e o atual prefeito, Wladimir Garotinho, não paga as dívidas com os proprietários.
Somente após este primeiro despejo é que as famílias ocuparam as casas do "Minha Casa, Minha Vida", da Construtora Realiza, para se abrigarem, uma vez que não havia sido apresentada qualquer alternativa de moradia em um dos momentos mais críticos da pandemia, com crescente fome e desemprego.
Cabe ao prefeito Wladimir praticar a solidariedade que tanto tem pedido aos cidadãos campista e cumprir o seu papel de gestor público, apresentando uma solução para evitar que diversas famílias com idosos, jovens e mulheres grávidas sejam obrigadas a morar na rua.
Afinal, como pode o prefeito solicitar diariamente que as pessoas fiquem em casa quando sua omissão é responsável por retirar o teto de centenas de pessoas?
Juliana Rocha e Daniela Abreu
Juliana Rocha e Daniela Abreu
Confira abaixo a carta assinada por diversos movimentos e organizações políticas de Campos em repúdio ao despejo e desocupação das famílias:
"MANIFESTO CONTRA A DESOCUPAÇÃO NO PARQUE AEROPORTO

Centenas de famílias foram despejadas de forma ilegal na semana passada do Parque Aeroporto durante o período mais dramático da pandemia do coronavírus e da epidemia da fome em Campos. Esse primeiro despejo, executado pelos donos dos imóveis, ocorreu porque o último prefeito, Rafael Diniz, deixou de pagar o aluguel social e o atual prefeito, Wladmir Garotinho não saldou as dívidas com os proprietários dos imóveis. No entanto, o contrato foi feito com a prefeitura e não com as famílias. Dessa forma, o prefeito é o responsável por negociar com os proprietários dos imóveis e garantir o direito constitucional das famílias à moradia.

As pessoas despejadas, então, ocuparam as casas do "Minha casa, minha vida" para se abrigarem. No entanto, a Polícia Federal compareceu no local dia 15/04 para notificar as famílias de uma ordem judicial de reintegração de posse, fruto de uma ação movida pela construtora Realiza e estipulou um prazo de 5 dias para a desocupação. Esse prazo se extingue amanhã (21/04), quando deverá ocorrer o despejo das famílias.

As famílias estão se mobilizando desde sexta feira (16/04), quando ocorreu um ato na Lapa de reivindicação de seus direitos. Algumas famílias fizeram uma manifestação em frente à prefeitura na tarde de hoje (20/04) e, em seguida, fecharam a BR 101 para pressionar o Poder Público para que não haja nenhum despejo no dia de amanhã.

É preciso que o prefeito Wladimir Garotinho assuma sua responsabilidade perante essas famílias e resolva imediatamente o problema criado pela própria gestão pública.

Assim sendo, exigimos que a ordem de despejo seja revogada, que as famílias possam permanecer sob o teto que lhes ampara neste momento crítico e que o pagamento da dívida seja imediatamente efetuado pela prefeitura do município!"

Assinam:

1 - Emancipa Campos
2 - Resista Campos
3 - Unidade Popular
4 - União da Juventude Comunista
5 - União da Juventude Rebelião
6 - Movimento Correnteza
7 - Diretório do PSOL Campos
8 - Coletivo Só a Luta Muda a Vida
9 - Frente Antifascista Cabrunca
10 - Coletivo Sementes
11 - Diretório PT Campos
12 - Juventude da Articulação de Esquerda
13 - Partido Comunista Brasileiro
14 - Unidade Classista
15 - União da Juventude Socialista
16 - Partido Comunista do Brasil - Campos
17 - Frente contra a Fome - Campos
18 - Núcleo José do Patrocínio
19 - SINDIPETRO NF
20 - Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores
21 - Frente LGBTQIA+ do Norte Fluminense
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Rio de Janeiro de Cláudio Castro é o estado onde a Covid é mais letal. E quem se importa?
17/04/2021 | 07h36
Ações questionáveis do governador em exercício parecem não chamar a devida atenção.
O estado do Rio de Janeiro alcançou a maior taxa de letalidade da Covid-19 em todo o Brasil: em média, a cada 100 infectados, 6 vem a óbito. Só nas últimas 24 horas foram 338 mortos.
Yahoo Notícia
Yahoo Notícia
Enquanto isso, segundo reportagem da revista Veja, o governador Cláudio Castro — que já recusou comprar vacinas e assinar carta conjunta de governadores pelo retorno do auxílio de 600 reais — tem promovido e participado de seguidas festas privadas, regadas a vinhos caros e música ao vivo, sempre sem máscara, com o intuito de mapear eventuais aliados em seu inesperado projeto de reeleição.
Tudo isso às custas de quem agoniza nas filas por um leito de UTI.
Aliado de Bolsonaro, a quem pleiteia apoio para seu projeto 2022 e com bom trânsito nos corredores da ALERJ, onde foi assessor, Castro parece não atrair muita atenção dos deputados que recentemente decidiram pelo processo de impeachment de Wilson Witzel, logo após o governador afastado ter se tornado desafeto do bolsonarismo.
Desde que assumiu, o ex-vereador do Rio coleciona ações questionáveis. Castro alterou o próprio decreto que impedia aglomerações para garantir que cerimônias de inauguração ao lado de prefeitos pudessem continuar servindo de palanque político, a exemplo da inauguração do Hospital Modular de Nova Iguaçu, onde reuniu centenas de pessoas no último dia 03.
Reprodução TV Globo
Reprodução TV Globo
Após ter vetado no dia 1° de março o projeto de lei que autorizava a compra de vacinas diretamente pelo governo do RJ, alegando “falta de verbas”, o governador gastou mais de 10 milhões de reais em equipamentos de guerra para a PMERJ, como caveirões, em plena pandemia. Valor este que, se revertido para a aquisição de equipamentos da UTI Covid, a um custo médio de 96 mil reais, poderia ter garantido mais 104 novos leitos ao estado.
Descumprindo o próprio decreto, Castro promoveu festa em Itaipava
Descumprindo o próprio decreto, Castro promoveu festa em Itaipava
Se Witzel foi afastado para apuração de crime de responsabilidade relacionado a atos administrativos ligados à requalificação de OSs da saúde no RJ, sobram motivos para indagar porquê Cláudio Castro também não tem seus atos administrativos, em que pese até mais graves, questionados e investigados até o momento.
 
 
Por Gilberto Azeredo Gomes às 07h35
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Campanha PT Solidário é iniciada em Campos dos Goytacazes
16/04/2021 | 21h35
Iniciativa organizada por militantes pretende arrecadar cestas básicas para distribuição em comunidades carentes de Campos
Reunião virtual DM PT Campos
Reunião virtual DM PT Campos
Em reunião na noite desta sexta-feira, 16, o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores de Campos dos Goytacazes definiu adesão à campanha nacional PT Solidário, organizada por militantes do partido, que pretende arrecadar alimentos em todo o Brasil para o povo que tem fome.
A primeira grande ação nacional será no sábado, dia 17 de abril, Dia Internacional da Luta Camponesa, dia de memória e resistência do Massacre de Eldorado dos Carajás. No entanto, o PT Campos se programa para realizar a atividade no município dia 1º de Maio, em homenagem aos trabalhadores, trabalhadoras e em alerta ao gritante desemprego no país. 
Em Campos, a fome se mostra cada dia mais cruel, com longas filas em busca de doações de comida e o crescente número de moradores de rua.
Para saber como ajudar, acompanhe as redes do PT Campos dos Goytacazes no instagram e facebook a partir de amanhã, 17.
SOBRE A CAMPANHA
Pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população não tem certeza se haverá comida suficiente em casa no dia seguinte, teve que diminuir a qualidade e a quantidade do consumo de alimentos ou passou fome. São 116,8 milhões de pessoas na situação de insegurança alimentar no Brasil, de acordo com pesquisa divulgada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).
A fome havia sido superada em 2013 pelo Brasil, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou o país do Mapa da Fome, graças à política nacional de segurança alimentar implementada em 2003 pelo presidente Lula.
Após o golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da Presidência da República, a falta de comida voltou a assolar a população, situação que se agrava com o descaso do Governo Bolsonaro no tratamento da pandemia, as políticas neoliberais e o fim do auxílio emergencial de 600 reais.
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