Eraldo Leite - Perdemos a Copa, de novo!
Eraldo Leite 18/07/2026 07:44 - Atualizado em 18/07/2026 07:47
Divulgação FIFA
A Copa do Mundo, disputada de quatro em quatro anos, é o maior evento esportivo do planeta. Maior até do que a Olimpíada, que reúne vários outros esportes, isso porque o futebol envolve paixão. As competições se repetem todos os anos, nacionais ou internacionais, o que alimenta essa paixão. Então quando chega a Copa, o mundo para. As divergências se tornam convergências, todos torcem pelo mesmo time: o do seu país. E quando vem a derrota, a eliminação, a frustração é gigantesca. Porque nós, o povo, nos preparamos para a disputa junto com 26 jogadores, um técnico. Sofremos com eles a angústia das lesões, a ansiedade da estreia e a dúvida pela escalação ideal. O Brasil é o único país, desse mundão, do planeta terra, a participar de todas as edições de copa do mundo, desde 1930. Lá se vão 23 edições e só vencemos 5. Ou seja, perdemos 18 copas e ainda nos indignamos por isso? Com cinquenta anos de jornalismo eu já vivi muita coisa no futebol, inclusive a cobertura de doze copas, presencialmente. A primeira em 1982 e o Brasil já era tricampeão do mundo. Minha geração surfou a onda do Brasil ser “o país do futebol”, por ter o triplo de conquistas em relação, por exemplo, a quem, de fato, inventou o “football”, a Inglaterra. Quando terminou o jogo Brasil 2x3 Itália, no Sarriá, em Barcelona, o mundo desabou sobre mim. Parecia o fim. Como assim? A seleção fantástica de Falcão, Sócrates, Zico, Júnior e Leandro não podia perder pra ninguém. Mas perdeu. E o mundo seguiu. Hoje somos pentacampeões e os ingleses têm que se contentar com um título único. Agora a nossa indignação recrudesce porque saímos da copa nas oitavas de final para a Noruega. A conquista deste ano será da Espanha ou da Argentina. (No blog “Na Cara do Gol”, da Folha 1, falaremos sobre a decisão). Alfredo Di Stéfano, uma das lendas do futebol mundial, nascido na Argentina e naturalizado espanhol, nunca foi campeão do mundo, nem por uma, nem por outra nação. Pelé ganhou três copas. Então, quando sofremos, mais do que os artistas do espetáculo, com uma nova eliminação, só resta nos conformarmos: faz parte do jogo. Como faz parte, também, juntar os cacos, reestruturar e seguir adiante em busca de novos sonhos. Um dia o hexa vem.
Histórias da Copa
Passada a frustração da eliminação nas oitavas de final, ainda fiquei em solo americano para ver as quartas de final e retornei ao Brasil em seguida. A escala no Panamá foi uma surpresa: o aeroporto, ponto de conexões para várias partes do mundo, estava lotado. Bandeirinhas, música, bares cheios, rolando uma gelada de mão em mão. Parecia que o Panamá estava classificado para a semifinal, mas não era por isso. Afinal tinha saído com três derrotas e sem marcar nenhum gol. Era apenas por ter participado da copa, pela segunda vez. E poder mostrar ao mundo seu famoso chapéu.

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