Bacia de Campos volta a crescer com retomada de investimentos pela Petrobras
18/07/2026 07:20 - Atualizado em 18/07/2026 07:26
Divulgação
Durante boa parte dos últimos anos, o debate sobre a Bacia de Campos era marcado por palavras como desinvestimento, privatização, venda de ativos e descomissionamento de plataformas. A principal província petrolífera do estado do Rio de Janeiro assistia à redução progressiva da sua participação na produção nacional e vivia um cenário de incertezas para trabalhadores, municípios produtores e toda a economia regional. Quatro anos depois, a realidade é outra.
A Bacia de Campos acaba de registrar a sua maior produção dos últimos cinco anos, consolidando uma trajetória de recuperação associada à retomada dos investimentos da Petrobras e à mudança de orientação estratégica da companhia a partir de 2023. A produção média de petróleo e gás natural alcançou 893,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 13,14% em relação ao mesmo período do ano anterior e o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2021.
Os dados fazem parte da segunda edição do Boletim do Setor de Óleo e Gás do Norte Fluminense, elaborado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), e demonstram que a Bacia de Campos voltou a apresentar sinais concretos de recuperação após anos de retração.
Fim do desinvestimento - Para o movimento sindical petroleiro, a retomada dos investimentos é resultado direto da mudança do ambiente político nacional e da revisão das estratégias da Petrobrás sob o governo do presidente Lula.
Segundo o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) e a FUP (Federação Única dos Petroleiros), durante os governos Temer e Bolsonaro a orientação da companhia era de redução da presença da empresa na região, com venda de ativos, privatizações e preparação para o encerramento das operações de diversas unidades da Bacia de Campos.
Ao longo desse período, o movimento sindical manteve a defesa da tese de que a Petrobras não deveria se encolher, mas utilizar sua capacidade tecnológica e financeira para revitalizar os campos maduros e preservar a importância estratégica da região para o país. Essa posição esteve presente em campanhas como a “Petrobrás Fica”, lançada pelo Sindipetro-NF em 2020 para alertar a sociedade do Norte Fluminense sobre os impactos econômicos e sociais do desmonte da empresa na região.
A partir de 2023, a companhia passou a interromper a política de desinvestimentos e retomou gradualmente os investimentos em exploração e produção, movimento que começa agora a aparecer de forma concreta nos indicadores da Bacia de Campos.
Plataforma de petróleo
Plataforma de petróleo / Divulgação / Petrobras
Áreas exploratórias: Revitalização em pauta com nova estratégia
A nova estratégia da Petrobras para a região inclui a retomada da aquisição de áreas exploratórias, a ampliação das atividades de exploração e a recuperação de ativos considerados estratégicos para o futuro da produção nacional. Entre 2023 e 2025, a companhia contratou novos blocos exploratórios na região e voltou a investir em áreas consideradas fundamentais para a expansão da produção.
A atividade exploratória também voltou a crescer. Em 2025, a Petrobras perfurou cinco poços exploratórios na Bacia de Campos, o maior número desde 2011, com novas descobertas em áreas do pós-sal e do pré-sal, reforçando o potencial produtivo da região mesmo após décadas de exploração.
Ao mesmo tempo, plataformas que anteriormente caminhavam para o descomissionamento passaram a integrar os planos de revitalização da companhia. As unidades P-35, P-37, P-47 e P-19, que anteriormente tinham o encerramento das atividades previsto, serão reaproveitadas pela Petrobras dentro da nova estratégia para a região. Também está em estudo a ampliação da vida útil da P-51, com a perspectiva de extensão das operações até 2052.
Recentemente, a companhia também anunciou a instalação de cinco novas plataformas, a perfuração de aproximadamente 100 novos poços e a meta de elevar a produção dos atuais 450 mil barris diários para 600 mil barris diários nos próximos anos.
Impacto positivo para a região produtora
Recém-reeleito coordenador-geral do Sindipetro-NF, Sérgio Borges avalia que a retomada da Bacia de Campos representa muito mais do que números de produção. Para ele, o fortalecimento da Petrobras significa geração de empregos, aumento da arrecadação de royalties e participações especiais para os municípios produtores e fortalecimento da economia regional.
Segundo o dirigente, a retomada dos investimentos permite a criação de empregos diretos e indiretos, movimenta toda a cadeia produtiva do petróleo e produz impactos positivos sobre comércio, serviços, construção civil e diversos outros setores da economia do Norte Fluminense.
Borges destaca ainda que a recuperação da Petrobrás e da Bacia de Campos também cria condições para avanços nas condições de trabalho e na valorização da categoria petroleira.
Divulgação
Trabalhadores são beneficiados através de luta sindical
Entre os avanços recentes lembrados pelo dirigente está a consolidação das mudanças promovidas pela NR-37, que ampliou os requisitos de saúde e segurança na indústria do petróleo e gás. Sérgio Borges também destaca a retomada dos planos de saúde familiares para trabalhadores prestadores de serviço do Sistema Petrobras, benefício que havia sido reduzido em diversos contratos e voltou a ser exigido pela companhia.
Outro avanço citado é a construção do acordo coletivo de teletrabalho, inexistente anteriormente, além das conquistas relacionadas aos trabalhadores neurodivergentes e às pessoas com deficiência, com mecanismos diferenciados para acompanhamento familiar e tratamento de saúde.
Entre os trabalhadores offshore, o coordenador do Sindipetro-NF destaca ainda a conquista do vale-alimentação para embarcados e do reembolso das passagens aéreas em casos de perda de voos provocada por alterações operacionais da própria empresa.
O dirigente também cita a luta sindical contra o modelo de afretamento de plataformas e em defesa da construção e operação de novas unidades próprias da Petrobras na Bacia de Campos.
“Hoje a Bacia de Campos voltou a crescer e voltou a produzir mais. Isso é fruto da capacidade de organização e de luta da categoria petroleira, da atuação dos sindicatos, da federação e dos movimentos sociais em defesa da Petrobrás e do desenvolvimento nacional”, afirma.
Segundo ele, a categoria petroleira demonstrou, ao longo da sua história, capacidade de mobilização, formulação e articulação política suficientes para influenciar os rumos da empresa e garantir avanços para os trabalhadores e para a sociedade.
 Com informações da assessoria do Sindipetro-NF.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS