Ainda estamos, nós brasileiros, discutindo nas rodas de conversa sobre futebol por quê Ancelotti deixou fora da Copa do Mundo o principal artilheiro do Brasil, Pedro, do Flamengo e o principal artilheiro da Inglaterra, João Pedro, do Chelsea, e vem o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, e deixa três estrelas fora da Copa: Alexander-Arnold, um dos melhores laterais do mundo, Cole Palmer, melhor camisa 10 da Premier League, e Phil Foden, ponta esquerda do Manchester City, desejado por 10 entre 10 equipes europeias. Isso escancara a realidade de como é difícil a vida do treinador, do selecionador de uma equipe de futebol. No futebol de alto rendimento a concorrência é alta. Na Argentina existe uma incrível fabriquinha de camisas 10, desde Maradona. Todo time argentino revela um camisa 10 habilidoso, candidato a “novo Messi”. Só o Botafogo já vestiu dois deles, Almada e Montoro.
Enquanto isso, o Brasil de Pelé, Zico, Rivelino, Tostão, e, mais recentemente, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, patina para ter um jogador que honre a camisa 10. Ancelotti já tomou a decisão de jogar sem esse homem de criação e vai de dois volantes e quatro atacantes para esta copa. Neymar? Vai ser “atacante centralizado”, como o próprio Ancelotti definiu, na coletiva da convocação. O técnico inglês, Tuchel, ao deixar de fora nomes de peso, explicou que foi para não escalar jogadores fora de suas posições de origem nos clubes onde atuam, o que indica que ele acredita em apresentar ao mundo grandes revelações. Os técnicos e seus conceitos: por aqui Ancelotti vai colocar um zagueiro (Ibañez) como lateral; e o armador Neymar vai jogar de atacante. Apenas num ponto eles convergem: estão pensando mais no coletivo do que no brilho individual. Pode até dar certo, mas, por enquanto, são apenas teorias, ou apostas.
Histórias de Copa do Mundo
Na Copa de 1990, na Itália, aluguei um carro para percorrer a “bota”. O Brasil jogava em Turim e treinava em Asti, cidades distantes entre si cerca de 50 km, por estrada estreita. Mas a seleção caiu nas oitavas para a Argentina e voltou pra casa. Eu fiquei na Copa e fui cobrir a semifinal em Nápoles, entre Argentina e Itália. Foi emocionante dirigir pela autoestrada A1, que corta o país de norte a sul, entre ferraris e masseratis. Vivendo em Nápoles, o ídolo Maradona dividiu o estádio, pois era o craque do Napoli, defendendo a seleção da Argentina. E classificou os “hermanos” batendo o último pênalti.