Gabriel Torres
23/05/2026 07:50 - Atualizado em 23/05/2026 07:52
Deputado Thiago Rangel
/
Foto: Divulgação/ Alerj
A investigação envolvendo o deputado Thiago Rangel, preso e afastado do cargo suspeito de participar de esquema de desvios de recursos da Educação estadual, ganhou novos contornos nesta semana. Áudios e vídeos extraídos de celulares apreendidos durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne indicariam que ele dava ordens relacionadas à estrutura da Secretaria de Educação e que teria recebido R$ 500 mil em dinheiro, destinados à campanha de aliados em Campos. Além disso, o diretor de uma escola denunciou à Polícia Federal uma suposta cobrança de propina, que seria destinada à eleição da filha, Thamires Rangel, a vereadora.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos indicariam a influência de Thiago Rangel na Educação e a negociação de cargos para aliados ligados ao tráfico de drogas, de acordo com reportagem exibida pela TV Globo. Mensagens analisadas pela PF também fariam referência ao loteamento de cargos públicos e uma suposta conversa do deputado com a irmã do traficante Arídio Machado, conhecido como “Junior do Beco”, que reclama ainda não ter sido chamada para nenhum cargo.
De acordo com a Polícia Federal, os diálogos indicariam que Thiago Rangel mantinha influência sobre setores da pasta, mesmo sem ocupar cargo executivo. Em um dos trechos citados pela reportagem, o deputado aparece dando orientações relacionadas a nomeações e movimentações internas.
Os investigadores suspeitam que a estrutura pública teria sido utilizada para acomodar indicações políticas e fortalecer alianças locais. A Polícia Federal também investiga se houve interferência em contratos e obras de escolas estaduais.
A Polícia Federal também encontrou, no celular do deputado, uma mala contendo cerca de R$ 500 mil em dinheiro, que seria parte de um suposto pagamento do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, que seriam destinados ao financiamento de campanhas de aliados políticos em Campos. Segundo a investigação, o valor faria parte de um suposto acordo de caixa 2 no montante de R$ 2,9 milhões.
Na quinta-feira (21), matéria do O Globo revelou que uma cobrança de propina teria partido do grupo liderado pelo deputado e levou um diretor de escola da rede estadual na região Noroeste Fluminense a fazer denúncia à Polícia Federal. O motivo seria ter sofrido pressão para liberar R$ 200 mil da conta do colégio estadual para abastecer a campanha eleitoral de Thamires Rangel, na eleição de 2024, em Campos.
Em denúncia anônima anexada à investigação, o servidor relata um esquema de cobrança de propina, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), e afirma que o parlamentar chegou a aparecer em uma videochamada para pressioná-lo a autorizar o pagamento.
De acordo com o relato, o dinheiro sairia diretamente da conta do colégio por meio da emissão de uma nota fiscal fraudulenta e seria devolvido duas semanas depois. “A proposta seria emitir uma nota fiscal falsa de serviço e o dinheiro seria devolvido 15 dias depois. Houve muita pressão para que eu fizesse a transferência, mas me neguei. Tenho provas dessa ligação, mas afirmo que não gostaria de comprometer meu nome por medo do que podem fazer comigo e minha família”, escreveu o servidor público.
A defesa de Thiago Rangel afirmou que as supostas mensagens divulgadas não tiveram seu contexto minimamente apurado, que ele é inocente e não tem vínculo com o crime organizado. Além disso, informou que está recorrendo ao STF.
Com afastamento, suplente assume
Além da prisão, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, também determinou, no início do mês, o afastamento do deputado do cargo. A Assembleia Legislativa do Rio manteve o afastamento e deliberou pela destituição de seu gabinete, a exoneração de 40 assessores parlamentares e da chefe de gabinete na última semana.
Nesta sexta-feira (22), o Legislativo fluminense publicou no Diário Oficial a convocação do suplente Wellington José para assumir o mandato em substituição a Thiago Rangel. Segundo a publicação, o afastamento e a destituição do gabinete vão durar enquanto perdurar a decisão judicial.
Wellington José é o primeiro suplente do Podemos, partido pelo qual tanto ele quanto Rangel disputaram as eleições de 2022. Ele já foi deputado entre 2021 e 2022. Dessa forma, a Alerj restabelece seu quórum máximo de 70 deputados estaduais.
Antes, a Primeira Turma do STF havia decidido manter a prisão de Rangel, mas sem que a Alerj pudesse rever a decisão. Ao contrário do que houve em dezembro do ano passado, quando os parlamentares se reuniram e derrubaram em votação a prisão do hoje ex-presidente da casa, Rodrigo Bacellar.