Eraldo Leite - A lista final
- Atualizado em 04/04/2026 08:22
Foto: Rafael Ribeiro
Carlo Ancelotti teve exatos 10 meses e 5 dias de trabalho à frente da Seleção desde a primeira convocação em 26 de maio do ano passado até o último amistoso realizado no dia 31 de março deste ano, contra a Croácia. Nesse tempo fez cinco convocações, testando ao todo 56 jogadores diferentes. Jogou quatro partidas oficiais, pelas eliminatórias da Copa (duas vitórias, um empate e uma derrota) e seis amistosos (três vitórias, um empate e duas derrotas), trazendo a expectativa de recuperar o prestígio do futebol brasileiro, abalado pelos fracassos nas três últimas copas.
Ancelotti demonstrou querer fazer um trabalho de profundidade, não sendo apenas mais um técnico transitório. Quer deixar sua marca de vencedor, como fez nos clubes por onde passou, sobretudo no Real Madrid, onde ficou por seis temporadas e conquistou quinze títulos. Para tal, mudou-se de mala e cuia para o Brasil, para conhecer melhor não só o futebol brasileiro, mas o país em si, sua cultura, seus costumes, sua gente.
Conheceu o carnaval do Rio, o axé da Bahia, os restaurantes de São Paulo. Viver como brasileiro exige constância e tempo, por isso já discute estender o contrato até à Copa de 2030. Mas a pergunta do milhão, no momento, é: “Com que Time eu vou?” Ele declarou que já tem na cabeça a escalação da estreia contra o Marrocos, dia 13 de junho, em Nova Jersey. Em suas entrevistas deixou escapar que gosta de lateral com jeito de zagueiro (como Éder Militão) e até já colocou na copa Danilo, o do Flamengo; que vai fazer os jogadores atuarem do mesmo modo como atuam em seus clubes (Vini Jr. deve ser centro avante); que vai levar nove defensores e nove atacantes; sobra lugar para cinco meiocampistas, pois os outros três são os goleiros, totalizando 26 jogadores.
Algumas figurinhas são carimbadas: Vinícius Jr., Raphinha, Casemiro, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Matheus Cunha. As novas promessas de craque Estêvão, Luiz Henrique, Danilo (o do Botafogo) e, quem sabe, Endrick. E a figurinha principal? Esta é uma incógnita. Pelas últimas atitudes de Carleto, Neymar parece carta fora do baralho. Entretanto, até o dia da convocação definitiva (18 de maio), Neymar poderá fazer até onze jogos pelo Santos. E é nessas partidas que tentará convencer Ancelotti de que ainda pode fazer a diferença na Seleção em sua quarta copa. Mas terá que atuar no limite de suas condições físicas e técnicas, cuidando-se para não sofrer uma nova lesão.
Histórias de Copa
Eu era ainda estudante de jornalismo da UFRJ, em 1976, mas já atuava na Rádio Continental de Campos, narrando jogos do Americano, no Rio. Recebi um informativo da ACERJ que contava sobre um amistoso da|Seleção, preparatório pra Copa da Argentina, contra o Flamengo, no Maracanã. Em campo Rivelino, Gerson, Pelé, mas o resultado foi 2x0 para o Flamengo. O destaque do jogo? Um jovem franzino, candidato a craque, chamado Zico.

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