Eraldo Leite - Procura-se protagonista
Eraldo Leite - Atualizado em 28/03/2026 08:45
Rafael Ribeiro / CBF
Antes que se queira fazer terra arrasada da derrota para a França é bom refletir: os franceses têm uma das três melhores seleções do mundo, equiparada apenas por Argentina e Espanha. É a atual vice-campeã do mundo e do Catar para cá a seleção melhorou, com a chegada de Olise, Doué, Barcola e o amadurecimento dos craques Dembélé e M’Bappé. Portanto a derrota por 2x1, mesmo com a França tendo um jogador expulso no início do 2º tempo, foi um resultado normal.
O que está mais chamando a atenção é a baixa atuação dos nossos protagonistas, sobretudo Vinícius Júnior. Aquele jogador infernal do Real Madrid se apresenta como um simples mortal com a camisa da seleção. Sofre marcação dupla? Sim, mas no clube também é duramente marcado e consegue se destacar, chamar a responsabilidade para si e decidir jogos. Procurando explicações pode-se dizer que lá, no Real Madrid, ele está mais bem acompanhado, cercado de outros craques que ajudam na construção e na desarticulação das defesas adversárias. É verdade. Mas e a seleção brasileira, está tão mal assim? Vini já teve Rodrygo, Richarlison, Paquetá. Agora tem Raphinha, Martinelli, Matheus Cunha, Casemiro. São todos jogadores da primeira linha dos campeonatos europeus e Vini Jr. continua sendo “mais um”, incapaz de desequilibrar. O Brasil sempre teve grandes protagonistas, como Ronaldo e Rivaldo, Romário e Bebeto, isso sem falar de Zico e Falcão, ou de Pelé e Garrincha.
E agora? Vamos para a Copa dependendo de quem? De Ancelotti? Será ele capaz de montar um esquema tático, em tão pouco tempo, capaz de não precisar de protagonistas? O técnico supercampeão pelo Real Madrid sempre teve times recheados de craques, até com dificuldade para escalar onze titulares. Estamos a praticamente dois meses do início da Copa e Ancelotti ainda faz testes. Não achou o centroavante (Richarlison, João Pedro, Endrick, Igor Jesus, Pedro, Igor Thiago – ninguém aprovou), temos deficiência grave no gol e zagueiros inconstantes, sempre às voltas com lesões. Sem falar no “Camisa 10”, artigo em extinção no Brasil. Sim, é preocupante o destino da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, a não ser por um detalhe: em 2002 o Brasil se classificou na bacia das almas para a Copa, viajou sob grande desconfiança popular e voltou do Japão campeão do mundo.
Histórias de Copa
São tantos campeonatos e tantos regulamentos para se conhecer que um certo repórter se confundiu todo em La Paz, onde foi fazer a cobertura de Bolívia e Brasil pelas eliminatórias da Copa de 2006. Ele mandou essa: “A Bolívia vai tentar mais uma vez surpreender o Brasil aproveitando-se da altitude. Os bolivianos não têm mais chance de classificação para a copa, mas seu objetivo é sair da zona de rebaixamento nas últimas rodadas”. Rebaixamento nas eliminatórias? Uau, falha nossa!

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