Guerra de informação: emoção e razão na hora de decidir
- Atualizado em 13/04/2020 15:00

Existe uma guerra de informação no país quando o assunto envolve o Presidente Jair Bolsonaro. O grupo mais radical ligado ao Presidente, incluindo seus filhos, é fortemente influenciado pelo guru Olavo de Carvalho.

Olavo ajudou a fundar o maior site conservador do país, o “brasilsemmedo.com”, que entrou em operação em meados de dezembro de 2019, e serve de base para as ofensivas lançadas contra adversários. Além deste site, outras mídias digitais atuam para alimentar espíritos desejosos de teorias conspiratórias, quase sempre anunciando planos de golpes e a intenção de implantar o comunismo no país.
O guru já comentou sobre guerras de informação, guerra informática (netwar) e técnicas de desinformação (http://olavodecarvalho.org/o-que-e-desinformacao/), as quais estariam sendo utilizadas pela esquerda, mas que, em verdade, são muito exploradas pelo movimento radical conservador.
Nesta guerra, o ataque envolve métodos enganosos de debate, descritos por SCHOPENHAUER em "A arte de ter razão", que são combinados com conhecimentos de neurociência e psicologia comportamental, visando manter a tropa mobilizada contra as ações da grande mídia e de grupos esquerdistas.
O neurocientista português ANTÓNIO DAMÁSIO, em entrevista concedida à revista Veja, explica que as emoções podem afetar a percepção do mundo: “As emoções, quer as positivas quer as negativas, podem ter uma enorme influência naquilo que nós pensamos. Mesmo as pessoas que se dizem muito racionais não podem separar as duas coisas”.
De fato, estudos empíricos conduzidos por especialistas em marketing, psicólogos e economistas, demonstram que as pessoas são muito menos racionais do que se pensava. E tais estudos não são recentes, os economistas comportamentais, especialmente nos últimos 40 anos, vêm estudando a relação entre Psicologia e a Economia.
No ano de 2017, rendeu a RICHARD THALE o prêmio Nobel de Economia. Ele é enfático ao dizer: “Não, nós não somos racionais quando tomamos decisões”. E veja que isso ocorre até com o mais racionais.
Outros dois economistas laureados, GEORGE AKERLOF e ROBERT SHILLER, escreveram a duas mãos um livro intitulado “Pescando Tolos: a economia da manipulação e fraude”, com inúmeros exemplos de manipulação, inclusive na política.
“Tolo, afirmam os dois estudiosos, é todo aquele que, por qualquer motivo, é pescado com sucesso. Há dois tipos de tolo: psicológico e informativo. Os tolos psicológicos, por sua vez, podem ser classificados em duas categorias. Em um caso, as emoções de um tolo psicológico anulam as ordens de seu bom senso. No outro caso, as inclinações cognitivas, que são como ilusões de ótica, levam-no a interpretar mal a realidade e ele age com base nessa má interpretação. (...) Os tolos da informação agem nas informações que são produzidas intencionalmente para enganá-los”.
ANTÔNIO DAMÁSIO ressalta que: “Para vivermos em sociedade no século XXI  precisamos muitas vezes ser capazes de criticar as nossas próprias emoções e dizer não a elas. E a única maneira de ultrapassar as emoções é o conhecimento: saber analisar as situações com grande pormenor, ser capaz de raciocinar sobre elas e decidir quando uma emoção não é vantajosa”.
Portanto, somente através da autocrítica, do conhecimento e do diálogo permanente poderemos tornar as discussões mais racionais e encontrar as soluções para os nossos problemas.
 

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    Cleber Tinoco

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