O confronto nas urnas para o Governo do Estado entre interior e capital parece estar consolidado. Pelo menos é o que mostra a última pesquisa Datafolha antes do segundo turno da eleição neste domingo (28). No levantamento divulgado no sábado (27), Wilson Witzel (PSC) continua com a liderança isolada fora da cidade do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana, com 61% dos votos válidos, contra 39% de Eduardo Paes (DEM), que possui o apoio formal da maioria dos prefeitos da região. Enquanto isso, juntando o Rio e a Região Metropolitana, Paes soma 51% dos votos válidos, enquanto o ex-juiz federal tem 49%.
Os dados foram divulgados pelo portal G1, porém, quando o Datafolha abrir a consulta da pesquisa ao público, o que deve acontecer neste domingo, a situação deve ficar mais clara. A metodologia do instituto divide a natureza dos municípios pesquisados em "interior", "capital" e "capital+Região Metropolitana", no caso, o que foi utilizado pelo site de notícias. Porém, os últimos levantamentos, tanto do Datafolha como do Ibope, já apontavam que o candidato do DEM tinha assumido a liderança na cidade do Rio, onde foi prefeito por oito anos. Se mesmo juntando com a Região Metropolitana, onde Paes estava tendo desempenhos parecidos com do interior, ele continua à frente do adversário, a tendência é de que os números apontem um crescimento de Eduardo Paes na capital.
Mesmo no interior, Witzel apresentou uma queda de 4% em relação a penúltima pesquisa do Datafolha, divulgada na última quinta-feira. No geral, passou de 56% para 53% dos votos válidos, enquanto Paes subiu de 44% para 47%. Há dez dias, a diferença dos dois chegou a ser de 21%, segundo o instituto.
E tudo isso quer dizer o quê? Absolutamente nada. Ou quase nada. O eleitor do estado do Rio de Janeiro já demonstrou no primeiro turno ser totalmente surpreendente, fazendo de Wilson Witzel o candidato mais votado, com mais do dobro de Eduardo Paes. Na véspera da votação, as pesquisas apresentavam o candidato do PSC empatado com Romário (Pode) na vice-liderança, em um cenário já inesperado de quem partiu de 1% poucas semanas antes. Quer dizer que as pesquisas erraram? Não, pelo contrário. Os institutos pegaram a tendência de crescimento vertiginosa Witzel, mas a mão quase santa da família Bolsonaro, em especial do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), catapultou o ex-juiz no dia da eleição.
No segundo turno o cenário é o inverso. Quem vem crescendo é Paes, a passos mais curtos, é verdade, mas é um crescimento real. Witzel vem derretendo e tenta segurar a eleição com as próprias mãos, uma vez que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) manteve a neutralidade no Rio de Janeiro (apesar dos acenos de Flávio, embora mais tímidos). No entanto, com um eleitorado totalmente imprevisível, a única certeza que existe é a de que não tem nada definido. Não será surpreendente se Witzel ou Paes vencerem com uma margem folgada ou se a disputa for voto a voto.
E mesmo com a grande concentração populacional na capital e no entorno do Rio, o interior poderá ser novamente protagonista na escolha do próximo governador, a despeito dos dois candidatos terem ignorado a região durante a campanha no segundo turno.