Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Através da cortina o vento sopra sussurros. É a noite que chega com seus segredos.
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Resolveu que era hora de mudar. Puxou o cabelo para o alto e amarrou-o com uma fita. Pintou a boca de vermelho e vestiu seu sonho mais bonito. Através dos olhos que agora possuíam cor, enxergou que seu brilhar se refletia no outro.
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Tenho vidas que me renovam. Cada vez que penso afogar, um sopro forte me faz abrir os olhos, respirar entre bolhas de água e emergir.
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Se tenho o cuidado de espalhar flores na estrada por onde caminho é para que a cada tropeço em pedras e em cada buraco onde houver queda, possa me levantar e ainda assim olhar em volta com motivos para ter um sorriso no jeito de enxergar.
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Para que tão sensível? Isso dói.
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Quero que empurre o balanço com força para que eu possa ir tão alto que toque as nuvens. Preciso ter certeza de que são feitas de algodão.
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Não me dê dúvidas, pois estas costumam alimentar a alma com o rancor. Rancores envenenam o sentir, então me “desentrego” de você e volto para mim.
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Tento inúmeras vezes transformar o sentir no escrever com a alma.
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Ouça através dos meus olhos. O que eles dizem é muito mais do que minha boca ousaria pronunciar.
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Não sou boa, não sou má. Sou.
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Muitas vezes peço que meus pensamentos se calem, mas parecem fazer questão de fingir não ouvir.
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Em qualquer passagem que seja, em qualquer fase em que esteja, por mais que faça ou tenha feito, sempre será pouco a meu ver. É uma coisa minha essa de não se satisfazer.
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Se me abraça, eu te abraço e ficamos os dois no meio de nossos braços.
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Com os olhos falo o que penso, o que quero, o que não deveria. Com os olhos enxergo o mundo com as cores da minha cartela.
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Ontem pensei contar carneirinhos para dormir, mas desisti e pedi que me seguissem caso precise aquecer meus sonhos quando o sono chegar.
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Assusta-me escrever sobre você. Tenho medo que um dia releia o que passou.
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Não entregaria meu coração sem ter a certeza da entrega do outro. Ele não é brinquedo. Ele sangra.
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Parece que foi ontem que tomou a decisão de encarar o mundo. De frente. Até então costumava andar meio de lado com olhos fugidios apenas percebendo que havia um brilho a sua volta.
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Sobre o autor
Candida Albernaz
[email protected]Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".


