Frases nem tão soltas XXV
Frases nem tão soltas XXV
Cândida Albernaz
Colocou as mãos nos olhos escondendo-os do mundo. Pensou que assim fugiria. Mas não era lá fora que a vida pesava. Era no peito que ela ardia.
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Acreditou em fadas até o dia em que tomando posse da varinha mágica, guardou-a numa gaveta e saiu pelo mundo lutando por seus sonhos.
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O sono fugiu e alvoroços tomaram conta de sua mente. Saiu catando aqui e ali sorrisos que em algum momento fizeram parte de sua vida. Então virou de lado e em concha adormeceu.
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Quando hoje os medos tentam dominá-la, vai lá atrás, onde dois olhos cor de mel e um sorriso calmo a faziam entender o quão forte poderia ser.
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O abismo estava ali, bastava saltar apesar de reconhecer que não possuía asas. Decidiu voltar e com pés firmes percorreu o caminho que lhe era entregue.
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Era um querer fechar os olhos para deixar que o cansaço do corpo fosse maior que o da alma.
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Ao virar a cabeça viu que havia luz. Nem tudo era treva. Bastava um gesto.
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Que não precisemos de grades para nos proteger do mundo. Que dele, do mundo, só nos chegue o amor do próximo.
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Um dia faltou o chão, em seu lugar um buraco negro que não tinha fim. Se continuasse olhando para baixo aquela escuridão a engoliria. Chamou sua atenção uma nesga de luz vinda de algum lugar e foi essa pequena claridade que a salvou.
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Um dia de pequenas felicidades nos faz sorrir e entender que viver um dia e outro dia e mais outro é o que nos basta.
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Quero o meu dia cheio de cores! E não adianta que tentem o contrário, a caixa de lápis de cor está comigo.
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Levantou-se, limpou da saia a poeira que só ela via e seguiu em frente. O viver a esperava.
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Se há algo que me enfurece é perceber as lágrimas escorrendo pelo rosto sem que eu permita.
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Hoje o corpo mostrava um cansaço maior do que o habitual. Culpa da mente exaurida de lutar contra pensamentos que teimavam em permanecer.
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Correu, correu, correu, e quando pensou que desistiria em suas mãos surgiram pequenos balões que a fizeram sustentar-se no ar.
03-11-15