Frases nem tão soltas XXIV
candida 10/09/2015 11:34
Frases nem tão soltas XXIV Cândida Albernaz Um passo, depois outro e outro, bem devagar desviando de cada mina plantada no chão. Assim vão correndo os dias, aos poucos, se safando e resistindo em não parar. * Amo demais, penso demais, sofro demais. Transbordo-me em exageros. * Queria chorar um choro que não acontecia. Precisava que a dor se diluísse em água. * Diante daquele mar com os pés cobertos pela espuma branca e espessa, a areia grossa com pedaços de conchas espalhadas, voltei num tempo de gritos e risos misturados a algazarra que só a infância provoca. Via novamente minha mãe fechando o nariz com os dedos (como eu ainda faço) para que a água não entrasse durante o mergulho, e o seu passar de mãos no pouco cabelo molhado. Meus olhos assustados com a onda gigante que se formava enquanto irmãos e primos sem medo algum se jogavam no meio dela. Naquele dia voltei a um tempo que deixa saudades e que é responsável por grande parte do que sou hoje. O gosto forte de sal daquele mar absorveu outro que era mistura de sal e doce, este escorrido dos olhos. * Os medos no breu se deliciam. Ali eles encontram o calor que precisam para crescer. * Havia o som alto dos pássaros, havia o vento no milharal, havia o ruído dos pés pisando nas folhas secas caídas do bambuzal. Havia uma placidez que só a natureza oferece. Havia um sorrir interno. * Preciso de asas que me levem até onde o pensamento não me alcance. * Como João e Maria jogaram miolo de pão para encontrar o caminho de volta, eu vou jogando flores para que o meu, caso me perca, tenha cores e cheiro de alegrias. * Em meio a segredos a noite vai crescendo devagar. Ela chega murmurando que a escuridão tem a luz que permitimos enxergar. * Com um lápis de cor desenhei um sorriso no rosto para que não vissem que a boca permanecia fechada. * A noite chegou escura como breu, mas com o fechar de olhos ela se transforma e vejo luz onde antes era negro. Decido colorir minha noite com as cores que imagino. Eu a quero vermelha como sangue, a quero escarlate como a paixão, a quero. A noite é minha e a enxergo do meu jeito. * Se colo meu corpo ao seu, estou entregando tudo o que a boca não diz. * Que mulher é essa que traz na dor da perda a força para seguir adiante? Ela tem nome: mãe. * Observando os pontos de luz no céu escuro, tinha a certeza de que eram os olhos daquela que se foi e que voltava todas as noites, incansavelmente, para que se sentisse protegida. * Ô gastura de uns e outros, sô!  

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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