Frases nem tão soltas XXIII
Frases nem tão soltas XXIII
Cândida Albernaz
Brinco de me entregar. De me colocar num melhor lugar onde possa ouvir o barulho da água, absorver o frescor do vento, aspirar o cheiro de mato. Brinco de tentar enxergar além dos olhos. Enquanto brinco, vivo.
*
Muitas vezes o peso de viver me deixa próximo ao chão. Então me lembro que se apoiar as duas mãos consigo o impulso necessário para me levantar. Se juntá-las em oração a força se torna maior ainda.
*
Coloco-me a correr em pensamentos para que assim possa fugir do que é feio no interior do outro. Não adianta. Melhor enfrentar para não permitir que aquela sujeira contamine.
*
Silêncio porque os sonhos bons estão trazendo anjos para seu dormir. Eles murmuram um falar doce que encanta e nina como um balanço de colo de mãe.
*
Se quiser me convidar para dançar, não se acanhe. Apenas faço questão que me deixe experimentar voar.
*
No quarto escuro percebi uma pequena fresta de luz. Aproximei-me e entendi que bastava.
*
Não gosto de procurar e não me encontrar, por isso faço questão de ser exatamente o que sinto.
*
Tire-me do chão sem usar as mãos. Faça-me leve no querer para que eu perceba o exato momento em que o amor prevaleceu.
*
Entre abraços permaneço, entre braços me escondo protegendo quem sou apesar das urgências que a vida provoca.
*
Não me peça para falar quando naquele instante a única coisa que consigo fazer é sentir. Sou incapaz de descrever em palavras o que vem acompanhado de dor.
*
Não coloque o amargo em minha vida. Não gosto de precisar reagir ao que não ofereceria ao outro.
*
Sempre acreditarei antes de duvidar, porque confundirei com espelho o que tenho diante de mim. Inocência pode ser.
*
Através da cortina o vento sopra sussurros. É a noite que chega com seus segredos.
*
Não gosto de solidão. Ela traz um vento gelado que congela a alma.
*
Tente entender meu silêncio. Ele costuma vir carregado de emoções. Ele é meu sentir sem coragem de falar.
*
Às vezes tranco meu sorriso com chaves minúsculas, mas são tantas que demoro horas e horas até juntar todas para soltá-lo de novo.