Frases nem tão soltas XXIII
candida 16/07/2015 10:20
Frases nem tão soltas XXIII Cândida Albernaz Brinco de me entregar. De me colocar num melhor lugar onde possa ouvir o barulho da água, absorver o frescor do vento, aspirar o cheiro de mato. Brinco de tentar enxergar além dos olhos. Enquanto brinco, vivo. * Muitas vezes o peso de viver me deixa próximo ao chão. Então me lembro que se apoiar as duas mãos consigo o impulso necessário para me levantar. Se juntá-las em oração a força se torna maior ainda. * Coloco-me a correr em pensamentos para que assim possa fugir do que é feio no interior do outro. Não adianta. Melhor enfrentar para não permitir que aquela sujeira contamine. * Silêncio porque os sonhos bons estão trazendo anjos para seu dormir. Eles murmuram um falar doce que encanta e nina como um balanço de colo de mãe. * Se quiser me convidar para dançar, não se acanhe. Apenas faço questão que me deixe experimentar voar. * No quarto escuro percebi uma pequena fresta de luz. Aproximei-me e entendi que bastava. * Não gosto de procurar e não me encontrar, por isso faço questão de ser exatamente o que sinto. * Tire-me do chão sem usar as mãos. Faça-me leve no querer para que eu perceba o exato momento em que o amor prevaleceu. * Entre abraços permaneço, entre braços me escondo protegendo quem sou apesar das urgências que a vida provoca. * Não me peça para falar quando naquele instante a única coisa que consigo fazer é sentir. Sou incapaz de descrever em palavras o que vem acompanhado de dor. * Não coloque o amargo em minha vida. Não gosto de precisar reagir ao que não ofereceria ao outro. * Sempre acreditarei antes de duvidar, porque confundirei com espelho o que tenho diante de mim. Inocência pode ser. * Através da cortina o vento sopra sussurros. É a noite que chega com seus segredos. * Não gosto de solidão. Ela traz um vento gelado que congela a alma. * Tente entender meu silêncio. Ele costuma vir carregado de emoções. Ele é meu sentir sem coragem de falar. * Às vezes tranco meu sorriso com chaves minúsculas, mas são tantas que demoro horas e horas até juntar todas para soltá-lo de novo.  

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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