A polêmica da “crucificação” e de onde vem o desrespeito
julia 09/06/2015 12:29
atriz Não, não é por não ser cristã que não vi nenhuma ofensa aos religiosos na imagem acima, de uma atriz transexual “crucificada” na 19ª Parada do Orgulho LGBT, realizada domingo em São Paulo. Sobre outras imagens que circulam pela rede, mostrando excessos ridículos, nem há o que comentar. Há gente babaca em qualquer lugar e quando multidões se reúnem esse comportamento imbecil parece ganhar ainda mais força. Mas quanto à imagem da cruz não parece complicado entender que trata-se de um simbolismo, baseado justamente na própria mitologia cristã, que crê na história de Jesus crucificado por defender minorias. Não é raro que a cruz seja utilizada como forma de chamar a atenção para injustiças —e as consequências negativas para parcelas da sociedade — seja no palco, em eventos públicos, em diversas manifestações artísticas. A homofobia é uma dessas grandes injustiças. Ela ameaça o que há de mais caro ao ser humano, que é o respeito às liberdades individuais. O que duas pessoas adultas fazem de suas vidas, de seus corpos, não deveria ser da conta de ninguém. E o amor, independente de questões de gênero, deveria sempre ser festejado, exaltado. Pessoas felizes, bem resolvidas e realizadas não costumam se incomodar com a sexualidade alheia. Infelizmente, em tempos de tanto conservadorismo e rigor fundamentalista neste país, a conta acaba sobrando para os que fazem da fé religiosa instrumento desagregador e fomentador do ódio. Isso sim é lamentável. O resto é intolerância.

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