Frases nem tão soltas XX
Frases nem tão soltas XX
Cândida Albernaz
O peso nas pernas a impedia de andar com rapidez. Não percebeu quando se permitiu não mais viver.
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Muitas vezes seus pensamentos galopam enquanto com passos curtos tenta controlá-los. Bom mesmo seria poder correr junto com eles.
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Braços demais sufocam. Lembram-me tentáculos.
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Gosto de quem tem uma face, duas dão trabalho. No final nunca saberei com quem estou falando.
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Alguns dias precisam ser cerzidos. Se conseguirmos fazer bem feito ninguém perceberá o rasgo agora escondido.
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Algumas vezes nos escondemos tão dentro de nós que mesmo procurando não conseguimos nos achar.
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Parece que foi ontem que tomou a decisão de encarar o mundo. De frente. Até então costumava andar meio de lado com olhos fugidios apenas percebendo que havia um brilho a sua volta.
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Devíamos ser seduzidos todos os dias. Sempre um pouquinho que é para não gastar tudo de uma só vez.
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Nunca suportou vícios. Ninguém que provocasse dependência poderia fazê-la feliz.
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Costuma deixar a janela entreaberta ao deitar para que a luz da lua ilumine sonhos que insistem em mostrar um beco escuro.
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Anseio por serenidade como quem precisa de ar.
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Muitas vezes peço que meus pensamentos se calem, mas parecem fazer questão de fingir não ouvir.
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Em alguns momentos bate uma ventania interna quebrando o sentir em pequenas partes fazendo cacos voarem sem rumo espalhando pedaços que não se colam mais.
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Desejava fugir para algum lugar onde o nada fosse a única coisa que poderia fazer. Parece bom? Não, cansativo.
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Precisava sentir-se acarinhada todo o tempo. Com palavras lambidas, olhares escancarados, sorrisos que molham a alma, mãos ansiosas. Precisava sentir-se viva.
30/04/15