Frases nem tão soltas XIX
candida 16/04/2015 10:47
Frases nem tão soltas XIX Cândida Albernaz Quantas luas é preciso para fazer sonhar? Às vezes basta meia lua ou apenas uma estrela. * Estava sentado no mesmo lugar não sabia mais há quanto tempo. Quando tentou se levantar achou que não conseguiria. Viu-se preso por correntes que adquirira com o passar dos anos. Teve receio que fosse para sempre. Não era. Quando as tocou percebeu que só o medo de ser livre as prendia. Nunca estiveram com cadeados. * Seguiu passos que não eram seus. Confiou e subiu cada pé em um par de pés que pertenciam a outro. Fechou os olhos e por isso não percebeu que aqueles caminhavam para o abismo. * Quando abriu a gaveta descobriu-a vazia, mas não se recordava de haver retirado nada de dentro dela. Puxou pela memória e então pôde lembrar-se que naquele lugar apenas guardara o que a fizera sofrer. * Se disser que não quero mais estarei mentindo. Sempre vou querer mais e mais sem me cansar nunca de tanto querer. Se é um defeito, tenho dentro dele uma qualidade: o de querer. * Correu de um lado para o outro como se fosse tonta. Girou em volta do corpo e permitiu que os cabelos cobrissem a visão. Sem enxergar era impossível coordenar os passos. Na queda que se seguiu foi que entendeu o preço a ser pago. * Resolveu que era hora de mudar. Puxou o cabelo para o alto e amarrou-o com uma fita. Pintou a boca de vermelho e vestiu seu sonho mais bonito. Através dos olhos que agora possuíam cor, enxergou que seu brilhar se refletia no outro. * Quando penso alegrias é como se houvessem borboletas dentro de mim. Pensar alegrias me fazem voar. * E a dor vem logo depois do sentir bem. Como se estar feliz fosse demais para suportar. * Quer mesmo é conseguir escrever o sentir. Escrever sem parar, colocando para fora qualquer dor para que só no papel ela permaneça. * Como algumas pessoas conseguem buscar no vocabulário da vida as palavras que mais doem? Saem como vômitos espalhando sujeira por todo lado. * Às vezes as palavras me fogem e fica apenas o sentir gritando nos olhos. * Após cada vendaval, enganava-se agindo como se não fosse com ela. Apenas um filme irritante e triste que assistia da confortável poltrona que desenhara na mente. * Em alguns dias o corpo se fechava em torno de si mesma quase a sufocando. Era um abraço de tentáculos que a apertavam além do conforto. * Ilusão é o que nos faz viver o que não é para ser vivido.             15/04/15

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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