Consumo consciente
julia 15/12/2013 09:19
Compras de Natal, festas de fim de ano, carnaval, escola dos filhos, impostos. Carro novo, roupas, a geladeira dos sonhos para começar o ano com a cozinha nos trinques — cara para os padrões do trabalhador de um país em desenvolvimento que continua pagando salários que não são lá essas coisas — mas que dá para comprar sem nem sentir direito com parcelas a perder de vista. Pelos próximos 90 dias o brasileiro vai gastar um bocado. O movimento que já se forma nos centros comerciais agora que a chuva ensaia uma trégua é o prenúncio da farra dos cartões de crédito. E haja fatura mínima até o 13º do ano que vem sair. Mas quando bater na conta vai direto para o tal lançamento de celular que faz tudo e dá até para esquecer que sua função prioritária é dizer alô. Quem liga para isso quando o apelo tecnológico de consumo transforma o acessório em produto de primeira necessidade? Faz algum tempo, desde o Plano Real de Fernando Henrique ministro, que a inflação não é mais aquela coisa assustadora que limitava o poder de consumo do povo. Menos tempo que os programas de inclusão social, lançados embrionariamente na gestão de Fernando Henrique presidente, ampliados no governo Lula, ascenderam uma gama de famílias de baixa renda à classe média em todos os seus níveis. Mas historicamente não é equivocado dizer que tudo isso aconteceu ainda ontem. Moral da história: o brasileiro, de um modo geral, ainda não aprendeu a gastar. Não aprendeu a parcelar, a fazer contas, a fugir das armadilhas da mídia e do afago dos bancos, com suas soluções tão mirabolantes para enrolar a dívida quanto mirabolantes são os juros para manter o crédito na praça e, lógico, quadruplicar, quantas vezes o cliente quiser, o custo de ficar longe da famigerada lista do Serasa. O acesso aos bens de consumo, obviamente, é uma conquista e tanto para um país ainda desigual, mas com milhões de brasileiros que aumentaram consideravelmente, nas últimas décadas, seu poder de compra. Falta é juízo, no bom português. A receita? Prudência, calculadora, desconfiança e ceticismo às ofertas que querem fazer o consumidor acreditar que está levando para casa a tv de led mais moderna do mundo quase de graça. Não está. Com os altos impostos, tudo no Brasil custa caro demais. Fica combinado assim: o melhor presente do Papai Noel é o controle das contas e o nome limpo. O resto é supérfluo.

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