Frases nem tão soltas VI
Frases nem tão soltas VI
Cândida Albernaz
Vivo um dia após o outro porque se tento fazer diferente, me atropelo. Ou sou atropelada.
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Caminho com os pés levemente pousados no chão, se piso forte, o peso que carrego no peito certamente me fará afundar.
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Hoje as palavras estão assim, saltando a minha frente; sem que eu consiga pegar nenhuma delas para colocar no papel.
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Alguns sonhos quero que permaneçam sonhos. Permitindo que se transformem em realidade, ficam independentes e os perco no mundo.
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Uns fazem poesia com imagens, eu tento fazer o mesmo com palavras.
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Não venha me falar o que não quero ouvir. Explicação demais cansa.
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Muitas vezes peço que meus pensamentos se calem, mas parecem fazer questão de fingir não ouvir.
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Não gosto de dúvidas. Qualquer dúvida em minha mente transforma-se em um gigantesco dragão que faz meu peito queimar.
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Em alguns momentos bate uma ventania interna quebrando o sentir em pequenas partes e fazendo cacos voarem sem rumo espalhando pedaços que não se colam mais.
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E quando nos olhamos somos únicos. Sem medo não desviamos esse olhar.
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Hoje estou entardecer.
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Quero que me balance bem forte, para que eu possa ir tão alto que toque as nuvens. Preciso ter certeza de que são feitas de algodão.
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A maioria de nós conhece ou conheceu o mais ou menos. Não vale a pena. Ou é tudo, ou é nada.
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Às vezes a única coisa que consigo sentir é cansaço na alma. Ah! E gastura do mundo.
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Só preciso chorar minha solidão. Uma solidão muitas vezes inventada. Mas se a invento, creio nela.
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Encoste minha cabeça em seu peito, me afague os cabelos, faça com que seus braços me apertem o corpo. Quero me sentir em casa.
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Estou aprendendo a lidar com meus medos. Faço isto desde que me entendo. A impressão que tenho é de que nunca conseguirei.
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Sabe por qual porta quero passar? Na que me concede a liberdade de seguir em frente.
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Traz-me calor, porque tenho fome de viver.
24/07/2013