Devaneio
candida 02/05/2013 21:29
Devaneio Você me inspira, seduz, faz sonhar e sofrer.Enquanto musa você for a observo, dou-lhe os nomes que quero. Nunca rotina, nunca dia a dia, frente a frente. Pés no chão não me deixariam voar e sem o vôo não sou capaz de criar. É assim que alimento meus poemas e sem eles não sobrevivo. Nem tente tirar sua máscara, caso contrário serei obrigado a tirar a minha. E se vejo seu rosto ou você vê o meu, só vai sobrar a realidade e é dela que fujo. Sou poeta, não se esqueça nunca, ou cairá num abismo. Ontem pensava em você mais uma vez e tentei adivinhar o que seus olhos transmitiam na foto que observava. Não sei se consegui, mas não tem importância, porque na verdade não preciso saber o que sente. Quero colocar em seus olhos o sentimento que espero deles. Orgulhe-se de ser musa e viva sua vida, não faça com que eu saiba como ela é. Apenas deixe escapar pequenos trechos que me deem espaço a imaginar. Não, não diga que o que quer de mim são só as palavras. Também não tenha a curiosidade de me conhecer. Basta a você o que lê, e isso a faz sonhar com outras vidas, outras pessoas. Não conte o que não quero saber. Nem diga que foge da realidade quando lê o que escrevo, mas que também não se interessa em saber como sou. Essa conversa está ficando real demais. Já pedi que não continue, por favor. Ontem você foi ao supermercado? Faltou sal em casa? E daí? Não faça isso. Você não come, eu sei, apenas levita em torno de minha mente, flutua, voa como uma borboleta – tanto tempo lagarta presa no casulo até que se transforma linda e de vida curta- que posso segurar em minhas mãos e depois abri-las deixando que bata suas asas coloridas fazendo meus olhos brilharem. Repito mais uma vez: não venha contar que de mim não espera nada, que minha rotina também a incomoda e me conhecer melhor fará com que diminua o valor do que escrevo. Somos dois poetas, talvez? Não roube os sonhos e as letras que uso no papel, porque me impede de respirar. Espero de você o que percebi espera de mim também. Jamais sair debaixo desse manto, jamais mostrar a verdadeira face, jamais olhar dentro dos olhos reais. Sigo meus sonhos, segue os seus. Em linhas paralelas, aquelas que aprendemos jamais se encontram.
 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    Sobre o autor

    Candida Albernaz

    [email protected]

    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

    BLOGS - MAIS LIDAS