Se quero algo...
candida 14/03/2013 13:28
Se quero algo... Cândida Albernaz Sei o que vai dizer e não modificará nada. Sou teimosa? E daí? Foi assim que consegui quase tudo o que sempre quis. A essa altura da vida não vou mudar. Que altura? Está bem, tenho apenas trinta anos. Apenas? Acho um peso enorme entrar nesse numeral. Você é bem mais velho do que eu e parece ter menos. Não, não queria ser como você. Leva a vida sem se preocupar com quase nada. É mais leve inclusive no peso, não é? Só rindo mesmo. Não adianta. Quando coloco na mente, vou até o final. E se não consigo... fico irritada? Não é verdade. Fico irritadíssima! Difícil para os que estão ao meu lado, eu sei. Mas não estou pedindo que permaneça aqui escutando meu choramingo. Aliás, já que não quer ajudar, melhor que vá para casa. Droga! esqueci que mora aqui também. Rindo de novo? Achando engraçado eu estar confusa. Você sabe que para isto acontecer não é necessário muito. Sou confusa esquecida irritada teimosa... pode ver  alguma qualidade ou enxerga só os defeitos? Sei! Não lembrei de dizer que falo sem parar. Vai sacaneando, vai. Quando tiver o que pretendo quem dará risada será eu. Duvida que eu consiga? Ah! Que dê risadas... Palhaço! Está tentando afirmar que não sou alegre. É óbvio que sou. Não quando me deixam nervosa ou preocupada. Não há motivo? Já pensou em quantas vezes duvidou e provei que podia? Não preciso provar nada a ninguém? Isso parece letra de música. O que? Está com vontade de me beijar? Me leve a sério, por favor! Acha uma bobagem eu me desgastar por tão pouco. Qualquer coisa que eu deseje, nunca é pouco. Sabe por que você está aqui? Porque sou birrenta, como você gosta de falar. Porque coloquei na minha cabeça que não sossegaria enquanto não tivesse você. Claro que não o comparo com um cachorro. Ei! não faça essa cara. Sabe que te amo mais do que tudo. Você sabe, não sabe? Vamos, dê um sorriso. Não tenho jeito mesmo? Assim é melhor. Não quero que a gente brigue. Não suporto que se zangue comigo. Fico triste. Muito. Um beijinho vai. Pensa que pareço criança de vez em quando. Pode ser. Viu só? Se pareço criança é porque também posso ficar alegre, leve e não apenas aquelas coisas todas que falou antes. Verá como ficarei feliz quando estiver com o Dog aqui. Que nome é esse? Acabei de nominá-lo assim. Não é cão? Então: Dog. Eu sei que ele falou que não vai vender. Vamos ver. Você está de prova que cheguei lá e ele veio para meu lado abanando o rabinho. Viu como foi  se encostando. Será meu. Está decidido. Não, não sou louca. Meu irmão vai ceder e vender ou quem sabe dar o Dog para mim. Não vou arrumar confusão com a mulher dele coisa nenhuma. Aquela lá não gosta de animais e a mim, nunca suportou mesmo. Não fará diferença. É capaz de agradecer. Amanhã vou à casa deles e só volto com o cachorrinho. Pare de rir. Você sabe do meu potencial de persuasão. Aliás, provou do quanto posso ser envolvente. Vem e me abrace um pouquinho. Deite aqui e mexe no meu cabelo. Sabe que quando faz isso fico molinha. Adoro se me beija desse jeito. Vê como é possível eu ser suave? Que gostoso. Posso pedir mais uma coisinha? Vamos à casa de meu irmão comigo? Ele respeita você. Se falar com ele, vou ter mais força. Não, não faz isso. Venha aqui. Prometo ficar quieta. Ou quase. 07/03/2013

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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