A paixão cega da militância
julia 28/09/2012 15:14
Já fui militante em algumas campanhas (nunca uma fanática, que acho ridículo – talvez só uma empolgação maior de juventude), em outras atuei restritamente no trabalho com a imprensa (dos dois lados do balcão, tanto em assessoria de candidato quanto em redação de jornal) e hoje não participo de nada, apenas me posiciono como cidadã e como eleitora, através da opinião que escrevo no blog e no facebook. E o que percebo, depois de tantas eleições vistas de perto, é que militante é uma figura que não muda. Sempre vai fazer pressão psicológica e defender com uma firmeza impressionante sua própria verdade, totalmente antagônica à verdade do adversário. Não assisti à entrevista de Betinho nem à de Neco na Record. E o que rolou no facebook no dia da primeira entrevista é igualzinho a hoje. Quem é contra afirma sem titubear que a performance do candidato foi um fracasso. Quem é aliado garante que a participação foi perfeita, genial, se fosse melhor estragava. Independente de nossas escolhas, que às vezes podem render uma discussão mais acalorada aqui, outra ali, o fato é que é divertido acompanhar essa convicção totalmente condicionada ao lado em que se milita. Do tipo o defeito do meu candidato vai morrer debaixo do tapete, a qualidade do adversário idem (até o militante ou mesmo o político pular de lado, lógico). O problema é que militante é, em primeiro lugar, cidadão. E se essa “cegueira” é característica da militância e lhe rende até mais prestígio com sua “liderança”, por outro lado pode ser algo muito ruim para a cidadania, porque ajuda a mascarar um sistema político que deveria ter suas portas e janelas escancaradas para o povo. Militem, defendam, mas moderem a paixão para de vez em quando parar para lembrar que vamos eleger servidores públicos temporários e remunerá-los com nosso dinheiro para que cuidem de todo a nossa fortuna. Ah, e não esqueçam também: há os candidatos melhores e os piores, e isso é da opinião (ou muitas vezes, infelizmente, do interesse particular de cada um). Mas não há santos no processo. Não canonizem seus candidatos. Por esse mesmo motivo, não tripudiem nem diminuam pessoas, agindo com deboche só porque os votos delas não coincidem com os seus. A democracia permite essa pluralidade. Vamos respeitar. Defender quem apoiamos, apontar os defeitos de quem não apoiamos, mas respeitar. Votem com consciência. E pelo coletivo. Essa cultura de cabide de emprego público alimentada pela bajulação precisa definitivamente acabar. Serviço público eficiente é tocado com poucos e competentíssimos funcionários, vocacionados para o setor. Não por um bando de indicados que trabalha pouco e milita demais. É preciso saber separar as coisas. E que vença o melhor! Que todo mundo acha que é o seu, claro!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    BLOGS - MAIS LIDAS