Crítica vazia, interesse e atraso
Mal acabo de postar que o blog vai continuar parado até a eleição e já venho eu, com meus costumeiros desabafos. Mas quer saber? Estou de saco cheio de um povinho arrogante que ganha um carguinho de quinto escalão e já se acha o dono da cidade, o sabe-tudo do pedaço. Nem secretário tem que tirar onda. Moral é ser ministro de Estado e olhe lá. O resto é vaidade que beira ao ridículo.
Mas o papo aqui é que falta menos de um mês para a eleição e não dá para chamar o clima em São João da Barra de tranquilo, porque não seria São João da Barra. A tradição por cá é outra, de mais fervor, digamos assim. Mas tirando o envolvimento da militância, parece a mim que há um descaso de parte maior do eleitorado do que de costume e que tudo está muito previsível num jogo que prometia ser bem mais pesado desta vez. Isso não é normal e não sei não, mas acho que ainda vem chumbo grosso por aí, sabe-se lá onde vai estourar.
Por ora, o que percebo é que alguns militantes do 22, em casos isolados mesmo, andam passando da linha e deixando de cumprir a tarefa democrática de defender seu candidato e criticar respeitosamente o adversário (sim, isso é possível, desde que não haja denúncias sem provas, cinismos, nem ataques pessoais). É contra-ataque, lógico, mas ainda assim está errado. Batem principalmente em Carla Machado, a grande protagonista da campanha governista, mas sobra também para Neco e Alexandre, meros coadjuvantes do processo. Não sou de puxar brasa para a sardinha do candidato que voto — o que quer dizer que não sou cega nem radical —, mas quando o que se observa são casos isolados isso quer dizer que não é o comportamento incentivado pelas lideranças da campanha majoritária. São atitudes individuais, sobre as quais os candidatos e coordenadores não têm controle.
Na campanha do 15, por sua vez, repetindo aliás 2008, já é bem mais incisivo e muito mais comum o comportamento agressivo de militantes. Há não tão raras e honrosas exceções, mas de um modo geral a turma “de frente” — que não é a turma do poder, embora se ache — não poupa grosserias e baixa o nível sem cerimônia. Betinho, alvo principal, tem que “levar uma coça de votos ainda maior”, “ir para Niterói e nunca mais voltar”, é vítima de xingamentos impublicáveis e é chamado com tanta insistência de forasteiro como se a maior parte dos que hoje mandam de verdade no governo fosse sanjoanense. Além disso, como alguém que foi prefeito por dois mandatos pode ser de fora? Isso é ilógico, bobo até. Procura o outro lado, sem citar nomes aqui, e vê em que cidade pernoita. Essa xenofobia não é de agora e não consigo definir se é mais por preconceito ou ignorância. Gersinho e os outros vereadores da oposição (dois deles sem mandato agora, mas concorrendo) também recebem críticas pessoais e que em nada contribuem para ajudar o eleitor a se decidir.
Não estou querendo dizer que se a maioria age assim é porque há orientação por parte das lideranças, mas é possível concluir que não ocorre o mínimo esforço para coibir os excessos ou talvez até role certo incentivo. (Tudo bem, eu citei lá em cima que denúncia sem prova é errado, mas me poupe da crítica de incoerência nesse caso porque eu e mais as torcidas do Vasco, Fluminense, Botafogo, Flamengo e ECSJB sabemos como as coisas funcionam na nossa terrinha e quem age de que forma).
Quando falo da agressividade falo dos motoqueiros (quem sofreu com eles em 2008 sabe que podem ser comparados a bandidos — jovens usados, mas ainda assim com comportamento de bandidos), dos quebradores de placas, dos que xingam desesperadamente, das palavras de ordem arrogantes e debochadas nos carros de som e mais uma penca de imbecilidades — e algumas vindas de pessoas que há quatro anos estavam de outro lado e tanto criticaram as mesmas baixarias e foram, inclusive, vítimas delas. Talvez por essas e outras é que cresça o número de eleitores que querem distância do processo. Vão lá no dia, votam e pronto. Isso quando não optam por nem comparecer, tal o clima tenso nas seções eleitorais, preferindo pagar a multa irrisória.
Quando o debate em cima de propostas, ideias e comparações que têm a ver com a gestão pública dá o tom da campanha, todo mundo gosta e quer participar, como militante ou se posicionando como eleitor, sem medo nem constrangimento. Aliás, literalmente, está difícil sair um debate, forma mais eficiente de ajudar na escolha do eleitor indeciso. Uma pena.
É tanta gente enchendo a boca para dizer que São João da Barra está crescendo, vive um momento histórico de desenvolvimento, é a menina dos olhos de chineses e outros investidores mundo afora, mas não consegue ter um comportamento político-partidário minimamente ético, democrático e avançado. Às vezes nem parece que estamos ao lado de uma cidade de médio porte, integramos a Bacia de Campos, vamos sediar um dos maiores portos das Américas e nossa localização fica em um dos mais importantes estados da federação.
Somos atrasados sim em política. E os que se vangloriam dos tais novos tempos do capital privado que chega, das oportunidades crescentes de ingressar nas escolas de ensino superior, são os mesmos que não conseguem se livrar das generosas tetas da mãe Prefeitura, que jorram freneticamente dinheiro do povo, ainda nem tanto pelo porto do Açu, mas pelos royalties do petróleo — e a localização geográfica providencial é só um caso de sorte. Vai ralar na iniciativa privada e vê se consegue sobreviver meio expediente que seja. Com esse comportamento infantil de militante mal informado, mal educado e antidemocrático é tarefa praticamente impossível. Tem mais é que lutar sem limites para continuar agarrado à teta mesmo. Excetuando, claro, os poucos profissionais competentes e sérios que tocam o serviço público, normalmente sobrecarregados por culpa da inoperância dos tais militantes que ganham da teta para fazer política, e mal feita.
Só o que resta é lamentar. E torcer para que a campanha ganhe um rumo melhorzinho de civilidade. É gente demais metida a besta por metro quadrado, com apego quase sentimental a um carguinho insignificante qualquer. É tudo do povo, crianças. É só passagem. Vamos aprender a trabalhar de verdade pra variar um pouquinho. Militância não é carreira profissional, é postura de cidadania. E cidadania é coisa muito séria. Não rola junto com vantagem pessoal.