Cheguei agora há pouco da Câmara. Há muito tempo não ia assistir a uma sessão e andei ouvindo que o clima anda ainda mais quente desde a volta dos vereadores Neco e Alexandre Rosa, que tiveram que deixar as secretarias que ocupavam no governo para serem candidatos, respectivamente, a prefeito e vice.
Hoje o tema central era o pedido da bancada governista, majoritária, de abertura de uma CPI para investigar os atos do presidente Gerson Crispim. A oposição argumentava que o pedido seria válido desde que se abrissem também CPIs para investigar as gestões de Alexandre e Neco na presidência da Câmara.
Era esse o impasse da vez quando o vereador Zezinho Camarão, conhecido por seus discursos inflamados, soltava farpas contra o governo. Uma senhora da plateia interrompeu uma, duas, três vezes, mesmo advertida pela mesa diretora. Ela chegou a dizer que o vereador queria falar, mas não queria ouvir.
A sessão parou, a polícia foi chamada, a mulher se recusou a sair e depois de muito bate-boca a sessão foi encerrada e todos saíram. Um barraco só. Ainda em frente à Câmara, já na rua, a mulher, vereadores e mais um monte de gente, dos dois lados da tensa política sanjoanense, diziam que seguiriam todos para a delegacia de polícia.
Ora, a mulher que interrompeu o vereador estava errada, obviamente. E o certo é que fosse retirada da Câmara, como seria normal em qualquer parlamento. O cidadão da plateia não pode debater com o parlamentar. É assim nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, na Câmara Federal, no Senado Federal. Os parlamentares debatem entre eles. Isso não é cercear liberdade de ninguém nem desrespeitar a democracia. O cidadão, se quer debater no parlamento durante sessões, deve ser candidato a um cargo eletivo, vencer e tomar posse.
Foi errado e seria também se fosse ao contrário. Se um vereador governista discursasse que o governo é lindo, maravilhoso e perfeito e que a oposição não presta, o cidadão simpático à oposição também não poderia se manifestar contra este discurso, querendo debater com o vereador.
Mas o que é simples e protocolar, fácil de resolver, em São João da Barra vira sempre uma grande celeuma. É por isso que dá confusão. É por isso que eu já disse
aqui há um tempão e volto a dizer que não acho o povo sanjoanense politizado. Tem gente que é, claro, e isso não é uma generalização. Mas uma grande parte, e justamente aquela que faz barulho de verdade, entende mesmo é de politicagem.
Que saco!