O Rei Sol
Do mestre José Cunha Filho recebi o artigo que reproduzo abaixo:
O Rei Sol
O sábio Sun-Tzu, no século II A.C., dizia em a “Arte da Guerra” da importância de manter fora das vistas dos amigos e inimigos os seus objetivos. Sua obra serviu para desenvolver estratégias dos generais romanos e napoleônicos, inspirou Maquiavel e nos anos 90 do século passado saiu dos arraiais castrenses para o uso empresarial. As multinacionais adotaram o livrinho como manual para treinar seus principais executivos.
Mao Tse-Tung adaptou muito dos conselhos de seu conterrâneo para os tempos modernos. O Livro Vermelho contém perólas como “faça barulho no mar e ataque pela montanha”. Uma das normas de Sun-Tzu, merecidamente considerado o “Pai da Estratégia”. O que tem tudo isto a ver com o velho Rei-Sol, Luiz XIV de França? Tudo, talvez nada.
Acontece que vivemos uma era especial, na qual se constrói, meticulosamente, um ente mitológico talhado para ser a reencarnação do Salvador da Pátria. O Dom Sebastião tão esperado por seus súditos lusos e descendentes brasileiros. Se o Brasil não conseguiu nunca despoluir a Baia de Guanabara, depois de gastar bilhões de dólares por décadas a fio, ele promete fazer a obra, por sua conta, em pouco tempo. E vai fazer.
De caráter forte, seguro de si e dono da imagem “de que não precisa de política para viver ou ganhar dinheiro”. Ao contrário, afirma ser seu grande objetivo apenas tornar-se o “homem mais rico do mundo”, reconhecido pela revista Forbes. Já é o brasileiro mais rico do mundo. Deveras prosaico o objetivo declarado.
Pouco provável que um homem determinado, que trocou a imagem de “marido de vedete” e play-boy desportista, para a de mais bem sucedido empreendedor sul-americano, queira apenas polir o ego no sereno espelho do lago. Devem ser ouvidos os ruídos na montanha… A pretensão declarada serve para afastar os lobos que se ocultam na névoa cinzenta do espectro político brasileiro, ainda sob o impacto do lulismo e da tumultuada gestão da “presidenta” Dilma, colocando a nau brasileira em rumo de colisão com uma inflação de demanda, ao por em riscos fundamentos da política econômica que criou e manteve a moeda estável nos anos 90.
No momento certo, o idealizador e criador do terceiro maior porto do mundo, prestes a operar com centenas de multinacionais, ator em várias áreas econômicas com o seu X emblemático, também será lançado no cenário político. E, como já aconteceu antes no Novo Mundo com Franklin Delano Roosevelt nos Estados Unidos, conduzido ao poder para montar o “New Deal”, um novo contrato social e econômico, ocupará o vácuo político. O homem providencial, o realizador, o que não promete, faz.
O Brasil hoje, de Chuí ao Oiapoque, sabe que a saída para a crise que se avoluma ainda nas sombras de uma indústria sucateada, de um panorama político antropofágico, de um crescimento alicerçado em distribuição de dinheiro público em bolsas-sociais de todos os tipos, será traumática. Após o freio de arrumação, será preciso ter ao leme alguém testado e experiente, habilitado a comandar e gerir de forma competente o gigante estremunhado, a despertar do longo sono a que foi levado por metade de um século.
Ou talvez, quem sabe, o fato do logotipo da LLX, a holding de Eike Batista, ter como principal elemento o Sol, seja apenas coincidência?