Exibida!
candida 26/01/2012 01:40
                                                                                       Exibida!                                                                                                                                        Cândida Albernaz Olha para a frente! Nunca presta atenção por onde anda. Estou cansada sabia? Cansada de tentar fazer com que seja mais atenta, responsável e direita. Faz tudo para me irritar. Pensa que não percebo? Só porque não consegue ninguém, enquanto eu nunca deixei de ter um homem ao meu lado. Homem mesmo.Acredita que não vejo como olha para ele? Vamos voltar a morar juntos, não adianta dar xiliques. Agora encontrei alguém que me ama de verdade. Você fica criando historinhas para atormentar minha vida. Entendo qual o problema,  quer que eu esteja à sua disposição e de  sua irmã, Cássia. Está com treze anos, esqueceu? Passou da hora de ajudar em casa. Estou enjoada. Quando seu pai soube que eu estava grávida, foi embora. Não te queria. Avisou que você seria um problema na vida dele. Sua a culpa. E não faz essa cara de quem vai chorar. Toda vez que toco nesse assunto, vem com manha. Quer começar cedo, não é? Assanhada!Sempre foi assim, desde novinha. E esse peito que não para de crescer? Puxou a quem? A mim é que não foi.. Os meus são pequenos e durinhos apesar da gravidez. Exibida! Botou corpo cedo só para chamar a atenção dos meus namorados. Ficou de olho no Nelson que eu vi. Quando ele chega perto, abaixa a cabeça como se fosse tímida. Que nada. Notei quando olhava para ele com raiva no outro dia. E não adianta inventar que ele tentou te agarrar de novo. Não caio nessa. Fica expondo esse corpo exagerado, só para se mostrar. Sei muito bem o que passa na sua cabeça. Já tive essa idade. Também gostava de me insinuar para os caras. Mas nunca fui fingida. Assumia o que queria e pronto. Falavam de mim, e daí? Todos com inveja, porque os mais lindos estiveram na minha mão. E você é igualzinha a eles, morre de vontade de ser como eu e não assume. Já avisei. Se der em cima do Nelson de novo, te coloco para fora de casa. E ganha uma surra como brinde, porque eu não sou mulher de aceitar que filha minha roube meu homem. Teve coragem de inventar que tentou te agarrar. Se ele, tendo uma mulher como eu, precisaria de uma franga igual a você. E ainda envolveu a irmã. Obrigou a bobinha a confirmar sua história. Por sinal, muito mal contada. Nelson ia entrar no banheiro enquanto você tomava banho... Não fechou a porta porque estava com defeito... Até imagino a cena. Em vez de encostar, escancarou de propósito. Queria que ele visse a princesinha nua. Ele nunca entraria ali se você não deixasse. E Cássia, que obedece tudo o que a senhorita manda, disse que o tio tentava abraçar você embaixo do chuveiro. Se ele te pegasse, o que sei que não aconteceu, você ia gemer e não gritar sua sem vergonha. Briguei com meu amor. Arrumou a mala e foi embora. Mas estou avisando que ele vai voltar e quero você muito comportada. Quer alguém? Vai procurar na rua. Deixa o que é meu sossegado. E a saia que está usando, pode jogar no lixo. Acabou a farra de ficar vestindo roupa curta e apertada no corpo. Vou dar tudo! Fecha bem esse botão. Para que tanto peito, meu Deus? Parece que vai explodir dentro dessa blusa. De agora em diante, além de cuidar de sua irmã, vai cozinhar também. Com menos tempo sobrando para pensar bobagem, será melhor para todo mundo. Vai chamar Cássia para tomar banho. Quando acabar, dá comida a ela, que pela hora, já deve estar com fome. Vou fazer minha unha e dar um jeito no cabelo. Quando Nelson chegar, quero estar linda. E que olho cheio de água é esse? Enxuga a cara, que não engana mais ninguém. Minha mãe dizia que eu era disfarçada...Isso porque ela não conheceu a neta. E sai da frente!  23-01-2012

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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