Solidariedade é uma questão de atitude
???O climinha paz e amor de fim de ano tem hora que irrita. É a alta temporada das correntes e chantagens emocionais. Claro que a solidariedade torna o mundo melhor e não é o caso de desmerecer campanhas sérias nem iniciativas individuais verdadeiramente altruístas. Mas, na boa, tem um monte de gente hipócrita que passa o ano todo furando fila, pedindo vantagem, sonegando imposto, votando em corrupto por interesse próprio, dando jeitinho em tudo, que agora posa de santo-generoso-papai-noel.
É gente assim que arrebenta com a igualdade de oportunidades e, por consequência, fomenta a desigualdade social. E então, vai chegando o Natal, cria discursos comoventes de amor ao próximo e enche a boca para expressar sua pena pelos pobres, para falar de caridade, em um tom que quase chega a depreciar a condição alheia. Não entende, ou finge não entender, que a proporção é lógica: se as pessoas agem de forma socialmente responsável conseguem contribuir para minimizar as necessidades materiais de outras pessoas.
Doações de alimentos, brinquedos, roupas e tantas outras possibilidades são válidas sim. E se o momento é de dar um up nesta prática, por um hábito cultural, então está valendo. Mas as pessoas podem fazer ainda melhor a sua parte em defesa de uma sociedade mais justa se adotarem posturas cidadãs em relação às suas próprias atitudes coletivas. Não passar por cima dos direitos dos outros para conseguir o que se quer já é um bom começo. No mais é respeito, consciência, justiça, honestidade, responsabilidade e muita, muita educação. São esses os valores que não podem faltar no saco do Papai Noel. O resto é complemento.