Estive ontem à noite no Cine Teatro São João para conferir o espetáculo de dança “3 pontos...”, da premiada companhia carioca Focus, que já encantou plateias na França e Alemanha. Simplesmente extraordinário. Um presente e tanto para São João da Barra. E de grátis. O município entrou no Circuito Estadual das Artes e quem banca tudo é o governo estadual. A Prefeitura só cede o espaço, som e luz e às vezes entra com mais algum apoio. E a entrada é franca. Pena que havia pouco mais de 30 pessoas na plateia, sem contar uma galerinha que fica de burburinho ou então checando o facebook no celular. Não é por nada não, mas não dá para fazer isso em casa ou no banquinho da praça? Não curte, não entende, não alcança, então não atrapalha.
Bom, mas essa história da educação do público rende outro capítulo, que deve incluir o recente episódio também no Cine Teatro, também pelo Circuito Estadual, em que o ator interrompeu o monólogo para pedir que a plateia se comportasse. Uma vergonha. Por ora, o que me leva a abordar o assunto é o Cine Teatro em si, que ficou fechado quatro meses para reforma, mas ainda está longe de ser a casa de espetáculos dos sonhos dos amantes de arte na cidade.
Aí já é possível prever o discurso rouco dos fanáticos partidários defensores cegos do governo para dizer que pelo menos agora tem teatro, que antes não tinha e blá blá blá. Primeiro, que essa história de pode ter de qualquer jeito desde que tenha é um argumento que beira o ridículo, segundo, que as coisas acontecem no tempo em que têm que acontecer. Quem acompanha o blog sabe que ele nunca foi usado como trincheira de ataques gratuitos ao governo, muito menos como instrumento para exaltar o governo anterior ao de Carla Machado, no qual trabalhei, apesar de todos que me conhecem saberem do meu posicionamento alinhado com a oposição. Mas é preciso lembrar os fatos como realmente aconteceram. Eu estava lá e presenciei quando o então prefeito Betinho Dauaire, reunido com o grupo de teatro Nós na Rua, perguntou sobre construir ou reformar um espaço e ouviu como resposta que ainda não era o momento, que era hora de fortalecer o projeto de levar teatro à rua e então foi decidido pela verba de subvenção ao grupo. Esse esclarecimento — desculpem, porque normalmente não faço isso — é só para eu não ter que ficar perdendo tempo com a moderação de comentários tolos.
Mas vamos ao Cine Teatro. A ideia do espaço foi um ponto e tanto do governo. O prédio é lindo e tem toda uma simbologia que contribui para valorizar e resgatar nossa cultura. Mas a gente quer mais, né? E a gente tem dinheiro e pode. Então, o que justifica manter um prédio que nem é tão grande fechado por 120 dias para reabrir faltando um tanto de coisas? O telhado foi recuperado e as goteiras não vão mais estragar a festa, a fiação também foi cuidada e é provável que não se repita o incidente das faíscas com casa cheia e, claro, está tudo pintadinho. Mas o carpete está um horror, as portas das saídas de emergência continuam inapropriadas e, mesmo não sendo especialista em produção artística, e eu não sou, dá para perceber que a iluminação não está legal, que falta a campainha, uma porta separando o foyer do teatro, o lanterninha, um monte de coisinhas.
Aliás, não sei se foi impressão minha, mas tive a sensação de ver pouca gente na retaguarda. O prédio estava um brinco ontem, os banheiros limpíssimos — sinal de que quem trabalha ali trabalha mesmo —, galera da recepção alinhada e muito cordial, mas era a turma do faz-tudo. Posso estar dizendo bobagem, mas acho que é preciso mais gente.
Moral da história: os desafios são tornar a casa viva fomentando a cultura, formando plateias, ensinando arte, ensinando especialmente a apreciar a arte e fazer do Cine Teatro um espaço realmente adequado, que faça jus à riqueza cultural de São João da Barra. Então, se o governo deixa por fazer e tem mais com o que se preocupar, como a educação e a saúde do município que vão mal das pernas, por exemplo, por que não transferir a responsabilidade? Por que não deixar que o Nós na Rua, único grupo de teatro formalizado no município, passe a gerenciar o Cine Teatro? Vai dar mais atenção, atrair com certeza mais espetáculos, mais público e organizar melhor o espaço. Que tal?
Estive ontem à noite no Cine Teatro São João para conferir o espetáculo de dança “3 pontos...”, da premiada companhia carioca Focus, que já encantou plateias na França e Alemanha. Simplesmente extraordinário. Um presente e tanto para São João da Barra. E de grátis. O município entrou no Circuito Estadual das Artes e quem banca tudo é o governo estadual. A Prefeitura só cede o espaço, som e luz e às vezes entra com mais algum apoio. E a entrada é franca. Pena que havia pouco mais de 30 pessoas na plateia, sem contar uma galerinha que fica de burburinho ou então checando o facebook no celular. Não é por nada não, mas não dá para fazer isso em casa ou no banquinho da praça? Não curte, não entende, não alcança, então não atrapalha.
Bom, mas essa história da educação do público rende outro capítulo, que deve incluir o recente episódio também no Cine Teatro, também pelo Circuito Estadual, em que o ator interrompeu o monólogo para pedir que a plateia se comportasse. Uma vergonha. Por ora, o que me leva a abordar o assunto é o Cine Teatro em si, que ficou fechado quatro meses para reforma, mas ainda está longe de ser a casa de espetáculos dos sonhos dos amantes de arte na cidade.
Aí já é possível prever o discurso rouco dos fanáticos partidários defensores cegos do governo para dizer que pelo menos agora tem teatro, que antes não tinha e blá blá blá. Primeiro, que essa história de pode ter de qualquer jeito desde que tenha é um argumento que beira o ridículo, segundo, que as coisas acontecem no tempo em que têm que acontecer. Quem acompanha o blog sabe que ele nunca foi usado como trincheira de ataques gratuitos ao governo, muito menos como instrumento para exaltar o governo anterior ao de Carla Machado, no qual trabalhei, apesar de todos que me conhecem saberem do meu posicionamento alinhado com a oposição. Mas é preciso lembrar os fatos como realmente aconteceram. Eu estava lá e presenciei quando o então prefeito Betinho Dauaire, reunido com o grupo de teatro Nós na Rua, perguntou sobre construir ou reformar um espaço e ouviu como resposta que ainda não era o momento, que era hora de fortalecer o projeto de levar teatro à rua e então foi decidido pela verba de subvenção ao grupo. Esse esclarecimento — desculpem, porque normalmente não faço isso — é só para eu não ter que ficar perdendo tempo com a moderação de comentários tolos.
Mas vamos ao Cine Teatro. A ideia do espaço foi um ponto e tanto do governo. O prédio é lindo e tem toda uma simbologia que contribui para valorizar e resgatar nossa cultura. Mas a gente quer mais, né? E a gente tem dinheiro e pode. Então, o que justifica manter um prédio que nem é tão grande fechado por 120 dias para reabrir faltando um tanto de coisas? O telhado foi recuperado e as goteiras não vão mais estragar a festa, a fiação também foi cuidada e é provável que não se repita o incidente das faíscas com casa cheia e, claro, está tudo pintadinho. Mas o carpete está um horror, as portas das saídas de emergência continuam inapropriadas e, mesmo não sendo especialista em produção artística, e eu não sou, dá para perceber que a iluminação não está legal, que falta a campainha, uma porta separando o foyer do teatro, o lanterninha, um monte de coisinhas.
Aliás, não sei se foi impressão minha, mas tive a sensação de ver pouca gente na retaguarda. O prédio estava um brinco ontem, os banheiros limpíssimos — sinal de que quem trabalha ali trabalha mesmo —, galera da recepção alinhada e muito cordial, mas era a turma do faz-tudo. Posso estar dizendo bobagem, mas acho que é preciso mais gente.
Moral da história: os desafios são tornar a casa viva fomentando a cultura, formando plateias, ensinando arte, ensinando especialmente a apreciar a arte e fazer do Cine Teatro um espaço realmente adequado, que faça jus à riqueza cultural de São João da Barra. Então, se o governo deixa por fazer e tem mais com o que se preocupar, como a educação e a saúde do município que vão mal das pernas, por exemplo, por que não transferir a responsabilidade? Por que não deixar que o Nós na Rua, único grupo de teatro formalizado no município, passe a gerenciar o Cine Teatro? Vai dar mais atenção, atrair com certeza mais espetáculos, mais público e organizar melhor o espaço. Que tal?


