Haja paciência
candida 20/10/2011 01:44
Haja paciência                                                                                   Cândida Albernaz   - Você vem ou não? - Estou indo. - Por que precisa demorar tanto? - Quase pronta! - Droga! É sempre a mesma coisa. Começo a me arrumar quando você parece estar acabando e não tem jeito. - Só um pouquinho mais. Vou ficar linda para você. - Hum! - E pare de resmungar. Não vê que assim me atrapalha? - Nem reclamar posso. - Fica quietinho aí. Só falta o batom. - Quando você diz isso é porque ainda está começando a passar esse monte de coisa na cara. - Não seja grosseiro. O resultado é ótimo. - Acho que vou tomar um uísque para relaxar. - Espera aí! Beber não! - Como assim: beber não! - E não fique imitando meu jeito de falar. - Você enrola o quanto quer e eu bebo o uísque que quero. - Você sabe que esse uisquezinho seu, puxa outro e outro. Quando chegarmos, já vai estar mais para lá do que para cá. - Culpa sua se isso acontecer. Por que não ficou pronta na hora que combinamos? - Eu tentei você sabe. - Sei que ficou de conversa com sua amiga, dando conselhos de que roupa deveria colocar. - É isso que dá ter uma mulher de bom gosto. As amigas ligam para pedir opinião sobre o que vestir. - E o assunto foi esticando para o José Antônio. - Você é maldoso. Sabe que ela é louca por ele. Estava triste. - Aposto que sei o motivo. Triste porque ele resolveu viajar com a mulher. - Não gosto que fale de minhas amigas. - Além de tudo, esse cara é um chato. Adora contar vantagens. Tem o melhor carro, a melhor viagem, faz o melhor negócio e as mulheres estão todas atrás dele. - Não seja tão irritado. - A única mulher que fica atrás dele, é essa sua amiga, que não consegue nem mesmo enxergar que o perfeito tem uma barriga que sempre chega antes dele. - Ela o ama. - Deve amar mesmo, para suportar escutar; eu tenho, eu faço, eu posso... E vou pegar minha bebida. - Espere querido. Estou acabando. Agora é só o perfume. Qual você prefere? - Qualquer um. Combinamos de sair às dez horas. São onze. - Quase prontinha! - Nossa reserva já era! Vamos ter que ficar esperando por alguma mesa sabe-se lá por quanto tempo. - Não se preocupe amor. Pedi a minha amiga que nos esperasse lá. - A Mariana vai com a gente? - Precisando m-u-i-t-o de companhia. - Não acredito que vou passar a noite de sábado ouvindo alguém falar do José Antônio. Porque ela não consegue entrar em outro tema. - Precisando desabafar. - Mas não podia ser quando vocês duas saíssem? Tem que rolar esse papo quando eu e você combinamos um jantar? - Precisando de ajuda. - E eu precisando de uma dose. - Espere aí... Olha só o que fez? Virou a bebida de uma só vez. - E estou partindo para a segunda. - Pronto. Em pé na porta, linda para você. A chave do carro está comigo. - Pois agora, vou acabar meu uísque sentado aqui no sofá.  - Não faz isso... - Já fiz. Quer um também? - Sabe que detesto álcool. - Não adianta amarrar a cara. Estou esperando por você há mais de uma hora. - Mas não gosto quando bebe antes de sairmos. - Também não prefiro sair com sua amiga quando ela está carente. - Você sempre achou Mariana simpática. - E ainda acho. Quando ela está animada, rindo das coisas, contando histórias boas de ouvir. - Mas ela está... -... Precisando! Já sei. - Promete que vai ter paciência. Só hoje. - Vamos ver. Se ela tiver conseguido uma boa mesa... - Não beba tão rápido! - Se você falar mais alguma palavra sobre, vou tomar a garrafa inteira. - Começou a ficar de mau humor. - Só mais uma coisa. Se ela ameaçar chorar na mesa, levanto e vou embora. - Ela não vai fazer isso. Vamos logo. - E se começar a elogiar esse tal de José Antônio, mando ela se tratar. - Está bem, está bem. Vamos embora. - Seu telefone está chamando. - É a Mariana. Fala querida, está no restaurante? - Pelo menos isso. - Ele terminou com você? Não chora Mariana. Estamos chegando aí. - Não acredito! Meu sábado...                                                                                                           18/10/11

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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