Pobre cidade rica
Não é a guerra política que assusta. Quem é de São João da Barra está mais do que acostumado com isso. O que causa espanto mesmo é o comportamento de alguns personagens. Não dos protagonistas, porque estes também têm reações previsíveis, e sim de um bando de coadjuvantes, que nem sabe o que defende, mas defende porque tem um lado político e pronto. Sem contar os pobres coitados dos figurantes. É a falta de capacidade de alguns de raciocinar por conta própria que preocupa. E esse é o cenário dos sonhos para políticos demagogos, desonestos e irresponsáveis.
Há muitas versões para o mesmo fato, mas sem florear muito a coisa, nem partidarizar, a questão é uma só: a prefeita Carla Machado a partir de agora pode desarrumar e destinar como bem quiser metade do orçamento gigante do município, o que significa quase R$ 200 milhões. Chantagens, paixões, encenações e eleições à parte, o que importa saber, sem ideologia de cabresto, é se isso é bom ou ruim para a transparência e para a justiça na aplicação do rico dinheiro público de São João da Barra.
O resto é manobra barata para querer transformar o debate saudável e necessário em ambiente de baderna e em entrave para o tão equivocadamente reivindicado clima de paz.
Deste episódio todo, algumas observações e indagações:
Ayrton Senna, eterno exemplo de comportamento ético para o Brasil, dentre outros valores, deve estar se revirando no túmulo. A trilha sonora que consagrou suas vitórias na Fórmula 1 virou jingle na queda de braço pequena do executivo com o legislativo.
Como assim o lixo voltou a ser recolhido poucas horas depois da votação na Câmara? Então não precisava ter parado o serviço? Não foi falta de recursos e sim protesto dos funcionários da empresa terceirizada? Confuso o negócio, contraditório o discurso.
Quem gosta mesmo do furdunço são os vendedores de fogos de artifício. Como sempre, um exagero.
Se há heróis são os funcionários da contabilidade e da tesouraria da Prefeitura. Haja pressão.
Quem pensa que acabou o alvoroço nas sessões da Câmara não perde por esperar. Primeiro, porque tem sempre o próximo round e segundo, porque a turma do vou-lá-só-pra-ver-no-que-é-que-dá já acostumou com o happy hour das segundas e quintas e não vai querer mudar a rotina.
Ah, e falando em próximo round, a oposição já está reunida para criar a CPI do lixo.