Mistério
Releases apócrifos, e ainda por cima com textos equivocados, têm sido encaminhados a coleguinhas — eu também estou no mailing do fantasma — como sendo da assessoria de imprensa dos vereadores da bancada governista de São João da Barra. Até fotos são enviadas. O problema é que não há como comprovar se a origem é essa mesmo, porque o material não traz o nome de nenhum responsável pela redação nem pelo envio do material, muito menos telefone de contato para que o jornalista interessado no assunto possa checar dados, pedir mais informações, agendar alguma entrevista.
Além desse absurdo do release anônimo, coisa que jamais vi nesses 20 anos de profissão, os textos são surreais. A questão não é a língua pátria. Quem escreve pode não ser ético, mas é até competente com a gramática. O problema está nos juízos de valor, nas opiniões. O mais recente traz isso no título, com o agressivo “Presidente Gerson Crispim age com covardia e desumanidade”. No corpo do texto, a oposição ganha adjetivos como “intransigente e irredutível”. Se fosse dentro das aspas dos vereadores, tudo bem, porque é a opinião deles. Mas não foi o caso. Está dentro do texto do assessor sem nome. Release é um texto encaminhado pela assessoria para divulgar algo de interesse da instituição, do grupo ou da pessoa que contrata o serviço. Mas ele é elaborado com a estrutura de discurso jornalístico. Opinião não entra.
Ou seja, nada faz sentido nessa assessoria invisível. Depois ainda tem gente que duvida quando eu digo que há coisas que só acontecem mesmo em São João da Barra.