Quem tem razão?
julia 09/06/2011 03:08
Vascão campeão, alegria demais e eu, é claro, não ia ficar de fora da festa, que em São João da Barra costuma acontecer na Joaquim Thomaz, ali no miolo em frente ao calçadão. Som nos carros, fogos de artifício aos montes e torcedores com disposição de sobra para amanhecer o dia. Nessa hora até as rixinhas políticas ficam de fora e a nação vascaína, que andava há muito esperando o momento de lavar a alma, era só emoção e abraços. Depois que chegou a galera de Grussaí então, puxada por um trio elétrico, aí foi que a festa bombou mesmo. Quem acompanha o blog sabe o quanto eu reclamo da poluição sonora, do quanto eu sou chata e insistente na cobrança pela punição dos perturbadores do sossego alheio. E confesso que durante a festa, mesmo feliz demais da conta, volta e meia pensava em como aquilo tudo devia estar incomodando os moradores, em plena noite de quarta-feira. E eis que passados alguns minutos da 1h da madrugada chega a polícia. Rolaram algumas discussões que não acompanhei. Fiquei de longe esperando o desfecho e soube depois que a queixa partiu de um morador bem próximo do local. Sei quem é, inclusive é um amigo querido, e não vou aqui citar nome porque pouco importa o personagem neste caso. Poderia ter sido qualquer morador. A bronca vascaína, e com razão, é que o queixoso em questão, flamenguista daqueles apaixonados, costuma liderar a festa quando seu time ganha e o alvoroço na rua não termina cedo. O episódio com a polícia não foi dos mais agradáveis. Teve um princípio de confusão e até spray de pimenta rolou. Não sei o acordo feito, mas os policiais foram embora e a festa continuou, um pouco menos barulhenta. Minutos depois, mais foguetes e a viatura estava de volta. Aí foi bate-boca e mais bate-boca, com o ingrediente a mais do excesso de consumo de álcool de alguns torcedores. Pouco depois das 2h fui embora quando a brincadeira já estava mesmo com cara de fim de festa. A questão é que a reflexão sobre o incidente vai muito além de a queixa ter partido ou não de um morador flamenguista, de se uma torcida tem mais direitos que a outra. É certo comemorar em uma rua residencial? Mas e o carnaval, que acontece na mesma rua, batizada inclusive de passarela do samba? E as festas juninas, que virão agora? E os comícios eleitorais? Quem mora na Joaquim Thomaz concorda com isso? E se chegar um morador novo que queira sossego? Vai proibir as festas? Tantos questionamentos podem fazer com que seja cogitada a ideia da construção de um espaço exclusivo para eventos, como um grande sambódromo ou algo similar, em área não residencial. Mas e a tradição? Quem mora no trecho entre o Democrata e a praça de São João Batista acostumou com o barulho, está resignado ou curte a festança? Ou seja, quer que o alvoroço saia dali ou não? Como vascaína que tinha disposição de sobra para festejar por muitas horas mais, saí frustrada, lógico. Mas com essa indagação que compartilho aqui por achar que merece ser analisada de forma mais ampla: quem tem razão?

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