Viagem barulhenta 6
julia 02/05/2011 14:10
Eu jurei que não ia mais tocar no assunto, porque dá uma frustração danada você perceber que muitas pessoas não se importam com as outras e não fazem o menor esforço para tentar se importar. Mais que isso, que quem deveria coibir os abusos dos mal educados também não age, mesmo quando a lei diz que assim deve ser feito. Mas resolvi trazer o assunto mais uma vez à tona porque tenho certeza, até pelos comentários gerados em alguns posts, que mais um monte de gente também se incomoda muito em ter seu direito desrespeitado. Sim, o papo é mais uma vez sobre o famigerado busão-boate da Campostur. Sabe o que são duas horas de viagem por dia (contando ida e volta) sendo obrigado a escutar uma música que você não quer escutar? Ônibus não é barzinho, que você freqüenta por opção. Ônibus é serviço essencial, tem concessão pública para funcionar. E nele, como em qualquer outro ambiente coletivo, ninguém pode se comportar como se o seu direito pudesse passar por cima do direito do outro. Eu, particularmente, não suporto que me obriguem a escutar o que eu não quero. E quando eu quero escutar também não obrigo ninguém a isso. Isso a gente consegue com bom senso e um bom fone de ouvido. Mas no trajeto da Campostur o usuário não tem escolha. O motorista coloca seu próprio som — devidamente distribuído em caixas ao longo do corredor — e passageiros também, compartilhando seu gosto musical através do MP3 do telefone celular. Tem dia que é uma confusão sonora torturante. Sinceramente eu não sei se a maioria dos passageiros curte ou não um sonzinho imposto. Mas isso nem importa. Democracia não é assegurar o direito da maioria, mas o direito de todos. Imagine uma situação hipotética em que entrem no ônibus muitos fumantes, formando a maioria. Sei lá, mas pode acontecer. Então eles têm o direito de incomodar a minoria com o cheiro e a fumaça do cigarro? É a mesma coisa. É tudo poluição. Eu, como fumante, não me incomodo com o cigarro dos outros, mas ficar trancada em um ambiente durante uma hora ouvindo pagode me faz muito mal. Solução: eu não fumo no lugar fechado e quem gosta de pagode usa o fone de ouvido. Simples, não é? E só para ninguém ficar pensando que é algo “pessoal” contra o pagode, esclareço que pode ser até rock`n roll, que eu amo, mas eu quero ter o direito de decidir o momento de ouvir. Portanto, mais uma vez fica o apelo à Campostur: como não podemos esperar boa educação de todo mundo, faça cumprir a lei e preserve os direitos dos bem educados. Clique aqui e confira tudo o que o blog já falou desse assunto.

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