O contraste é visível. Basta acompanhar a agilidade do Japão para recuperar suas estradas atingidas pelo terremoto e comparar com a incompetência já comum das autoridades brasileiras em casos semelhantes. O assunto foi tema de post hoje no
blog do Garotinho, que citou o exemplo da região serrana do Rio.
De fato, os japoneses deram show de superação e civilidade diante da tragédia natural que quase destruiu o país e por pouco não provocou uma grande catástrofe nuclear. O que vimos na tv, que nos inundou de imagens do terremoto seguido de tsunami e dos dias seguintes, foi uma população consciente, organizada, civilizada. É claro que não vimos desespero porque o povo japonês participa de treinamentos constantes para saber o que fazer quando acontecem terremotos. Mas não é só isso. Pesou ali, para as coisas caminharem da melhor forma possível, considerando a gravidade do problema, muita noção de cidadania.
Lembro da imagem de prateleiras vazias nos supermercados. A população fez estoque temendo um acidente nuclear, mas comprou os produtos. Cá na terra tupiniquim quando ocorre uma tragédia natural os produtos são freqüentemente saqueados das prateleiras. E muitas vezes por gente de classe média. Donativos chegam aos montes, porque brasileiro é solidário, mas o que rola de desvio não é brincadeira. E o preço da água mineral que foi às alturas na região serrana, em um explícito caso de exploração da tragédia alheia? Fora o absurdo das dispensa de licitação pública em emergências ou calamidades, que costumam fazer a festa dos políticos corruptos.
Por que então um país minúsculo, de inverno rigoroso, totalmente vulnerável ao movimento das placas tectônicas, consegue dar a volta por cima em tão pouco tempo e com tanta eficiência? A resposta é uma só: conhecimento. E como se adquire? Com investimento forte em educação.
Não estou dizendo que o Japão é o paraíso dos bons costumes e o Brasil o inferno. É quase isso. Obviamente não vai aqui nenhuma generalização com nosso país, que possui tanta coisa bacana. E, só para deixar claro, provavelmente eu não me mudaria para a terra do sol nascente se surgisse uma oportunidade. Mas vamos combinar que há diferenças profundas no comportamento das pessoas, no sentido de coletividade, e isso ficou latente demais nas últimas semanas.
Temos um país fantástico, onde vive a gente mais plural do mundo. O problema é que ainda há muito, mas muito mesmo, para avançar.