Mais um round
Quinta-feira tem agito logo cedo em São João da Barra e não é nenhum evento de verão, mas costuma mobilizar tanto quanto ou mais. Os vereadores, que estão em recesso, vão se reunir extraordinariamente às 10h para decidir se vai ser mantido ou não o veto da prefeita Carla Machado às mais de 20 emendas feitas pelo G-5 ao orçamento deste ano. Como o clima entre executivo e legislativo não anda nada bom, tudo indica que vai ser mais uma daquelas sessões com casa cheia.
A polêmica é do tamanho do orçamento milionário. O blog já fez a conta uma vez, comparando com Campos, e refaz agora com os dados do Censo de 2010: dividindo pelo número de habitantes, o orçamento campista de R$ 1.876.789.985,59 representa uma per capita de R$ 4.048. Em São João da Barra, que prevê arrecadar R$ 384.554.300, a per capita é de R$ 11.737.
Pela extensão territorial São João da Barra também ganha: o orçamento representa R$ 839.637 para cada quilômetro quadrado de solo sanjoanense. Em Campos, são R$ 465.589.
Também não custa repetir que o porto do Açu ainda está em obras e, portanto, não é o empreendimento que explica tão farta arrecadação. O aumento do ISS existe, mas não tão expressivo, e a maior parte, disparado, dos recursos que abarrotam os cofres públicos da terra de Narcisa Amália jorra dos campos de petróleo em forma de royalties.
O dinheiro é muito, só que o governo anda de mãos atadas e não conseguiu sequer contratar artistas de expressão nacional para os shows de verão. Os vereadores alegam que há outras prioridades. Sem maioria na Câmara, além de ter a proposta orçamentária retalhada pelas emendas, a Prefeitura hoje só pode remanejar 5% das verbas dentro do orçamento sem pedir suplementação à Câmara. Ou seja, praticamente engessada. Só para se ter uma ideia, em tempos de convivência pacífica entre os dois poderes esse percentual já chegou a 50%.