Choque de ordem na planície
julia 05/02/2011 12:21
Passei boa parte da semana em Niterói, a trabalho, entre o Centro, Icaraí e São Francisco. E foi inevitável a comparação com meus dois mundos cotidianos: São João da Barra, onde moro, e Campos, onde trabalho. Apesar das muitas ruas estreitas e do movimento intenso de veículos e pedestres, o que se vê em Niterói é harmonia, educação, respeito e espaços claramente definidos. Nenhum babaca com o som do carro no último volume, nenhuma moto barulhenta, nenhum carro estacionado na calçada, nenhuma vaga para portadores de necessidades especiais indevidamente ocupada, nem lixo acumulado em canto nenhum. Não é o relato do paraíso, claro, porque isso nem deve existir mesmo, mas uma demonstração de que é possível conviver com civilidade. Se sobra cidadania lá, falta cá na planície. Não vai aqui generalização alguma, mas a óbvia constatação de que tem muita gente mal educada que precisa da aplicação rígida da lei para aprender a viver em coletividade e compartilhar espaços públicos com o mínimo de noção de cidadania. Já cansei de falar sobre o assunto, especialmente em relação à poluição sonora, que é o que mais me irrita. E andei lendo as queixas de João Noronha, Viviane Aquino e Luciana Portinho. Quem também vem batendo na mesma tecla é o Carlos AA de Sá. Todos empunhando a bandeira do respeito e do cumprimento às leis. Muito tem sido falado sobre o boom de crescimento que o porto do Açu irá proporcionar à região. E não faltam cobranças nem promessas sobre capacitação para o mercado de trabalho e infraestrutura urbana que evite a favelização. Tudo muito válido, lógico, mas não se observa a mesma vontade política quando o assunto é relacionado à forma como as pessoas convivem em sociedade. Queremos crescer no item desenvolvimento econômico e continuar engatinhando no quesito comportamento social? Em Campos nem dá mais para contar a quantidade de carros que fazem das calçadas estacionamento. E a Guarda Municipal nem deve dar conta mesmo, porque precisa atuar onde há faixas para orientar os motoristas a dar passagem aos pedestres. Acho isso surreal e toda vez que vejo uma cena assim minha reação é de riso incrédulo. E o caos que é o transporte clandestino de passageiros? E o comércio irregular? Sem comentários. Em São João da Barra os guardas sumiram. Ver um pelas ruas é tipo ganhar na mega-sena. E o desrespeito é gritante, seja na cidade ou nas praias. Aqui crianças são usadas como air bag dos carros, viajando no banco da frente, no colo do carona ou do motorista; adolescentes pilotam motos não emplacadas e quase ninguém usa capacete, adultos ou crianças. Os veículos estão por toda parte, inclusive na areia da praia. Ah, e também estacionados em frente às garagens. Recentemente soube de uma iniciativa do Ministério Público que parece ser um passo importante para coibir alguns abusos. Foi em relação aos inúmeros forrós que funcionam em Grussaí, que não só permitem a entrada como comercializam bebidas alcoólicas para menores de idade. Pode ser um bom começo, mas ainda é muito pouco. Em Campos ou São João da Barra a situação só vai começar a melhorar quando houver uma força-tarefa envolvendo Guarda Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, Detro, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual e Ministério Público. Primeiro através da conscientização, depois pela força da lei. Sempre com o objetivo de zelar pelo bom uso do espaço público e acabar com essa sensação de insegurança que a desordem é capaz de proporcionar. Cada prefeitura, além de atualizar e fazer funcionar seu código de posturas, poderia também seguir o exemplo da cidade do Rio e criar a secretaria de ordem pública. Mas não vale protecionismo político, tão comum no interior, nem vista grossa. Excessos à parte, o órgão carioca tem feito um bom trabalho. Quer conhecer a estrutura? Clique aqui.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    BLOGS - MAIS LIDAS