Dois pesos, duas medidas
julia 18/01/2011 14:36
Um dos meus blogs preferidos é o Classe média way of life. Há meses não é atualizado, mas sempre vou lá para ver se seu autor, que assina Pierre do Brasil, resolve voltar a nos brindar com seu humor recheado de duras verdades que, como se diz por aí, atingem direto na veia. O blog traz textos em formato de dicas para o aspirante à classe média e expõe, com muita propriedade, a hipocrisia da classe média brasileira. É texto inteligente para fazer rir e refletir. Até eu, que de médio-classista não tenho nada, nem no comportamento nem nas posses, já vesti algumas carapuças. Pois bem, a tragédia que se abateu sobre a população da Região Serrana me fez lembrar uma das “dicas” do Pierre sobre a forma com que a sociedade e a mídia — e uma é espelho da outra — estratificam seu sentimento em relação às vidas e bens materiais perdidos. A postagem foi feita à época dos deslizamentos em Angra dos Reis. Todos lembram que a chuva varreu o Morro do Carioca, uma comunidade carente. Mas varreu também a exclusivíssima praia do Bananal, na Ilha Grande. Pessoas morreram nos dois lugares, mas o símbolo daquela tragédia foi a filha dos donos de uma pousada, a menina Yumi. No Carioca adolescentes também perderam suas vidas, mas pobre não tem história. É estatística. Agora o drama se repete. E o comportamento médio-classista também. Alguém por acaso leu alguma linha sobre a babá que morreu junto com boa parte da família do empresário Erick Conolly, em Itaipava? Como bem disse o Pierre: pobre quando morre é desgraça, rico quando morre é tragédia que abalou a família brasileira. Quer acessar direto no post? Clique aqui. P.S.: Vocês viram as criaturas do Rio flagradas desviando donativos que seriam levados à Região Serrana? Sem palavras. Quando os nossos legisladores vão tipificar tal covardia como crime hediondo?

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